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Política Com a retomada dos trabalhos no Congresso, em fevereiro, há expectativa de que um projeto do senador Flávio Bolsonaro seja votado autorizando a instalação de fábricas civis de armas e munições no Brasil

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O tema do acesso a armas é um dos principais abordados pelo senador ao longo de sua atividade parlamentar. (Foto: Agência Senado)

Em julho de 2023, quando o governo Lula editou um decreto apertando o controle sobre a circulação de armas no País, Flávio Bolsonaro (PL) disse que Lula “assinou sentença de morte para muitas pessoas que não vão poder se defender mais”. O tema do acesso a armas é um dos principais abordados pelo senador ao longo de sua atividade parlamentar.

Com a retomada dos trabalhos no Congresso em fevereiro há expectativa de que um projeto do senador sobre o tema seja votado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Casa. A proposta autoriza a instalação de fábricas civis de armas e munições no Brasil.

Na visão da especialista Carolina Ricardo, o discurso de Flávio, caso se torne candidato, deve girar principalmente em torno de visões cristalizadas da extrema direita na área:

“Ele não tem realmente um repertório de políticas de segurança pública. Ele reproduz um pouco essa lógica, que o irmão dele, o Eduardo, também faz, que é: ‘vamos armar todo mundo’. E uma defesa meio irrestrita da atividade policial”.

Nesse sentido, ela explica que apostar somente em explorar esse discurso pode facilitar a estratégia dos adversários que tentem aprofundar o debate. “Ele vai dizer: ‘Vamos acessar as armas, é um direito de defesa’. Mas como é que a gente enfrenta o tráfico de armas? Como é que a gente evita a entrada de armas legais no crime organizado?”, exemplifica.

Correndo por fora nas pesquisas eleitorais, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, marcaria 33% no segundo turno, contra 44% do petista, segundo a última pesquisa Quaest. A segurança pública é o principal eixo da gestão Caiado no Estado. Com o mote de que Goiás é “o Estado mais seguro do Brasil”, repetido em seus discursos, o governador se coloca como principal opositor das propostas do governo Lula na área, como a PEC da Segurança Pública.

No final de 2024, em uma reunião de Lula com governadores no Palácio do Planalto para debater a proposta, o presidente e o governador trocaram farpas publicamente. Na ocasião, após falas de Caiado, Lula ironizou dizendo que Goiás era o “único Estado que não tem problema de segurança”.

Dados do Anuário brasileiro mostram a queda expressiva no número de homicídios dolosos em Goiás. Antes de Caiado assumir o governo, foram registrados 2025 crimes desse tipo em 2018. O último número divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referente a 2024, mostra o registro de 960 homicídios dolosos, o que representa uma queda de 52,59%.

A letalidade policial também caiu, passando de 425 mortes em decorrência de intervenção das forças de segurança em 2018 para 372 em 2024, uma redução de 12,47%. Ainda assim, o número representa quase 40% do total de mortes violentas no Estado, um índice considerado alto por especialistas.

A pesquisadora Bartira Miranda, conselheira do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, analisa que ainda que o modelo adotado por Caiado venha reduzindo os índices, é preciso que haja políticas de longo prazo voltadas para uma mudança estrutural na área e não apenas reforço na repressão dos crimes. Nesse sentido, ela afirma que é preciso que haja uma integração das instituições do Estado com a União.

“É só uma política de governo, não é uma política de Estado”, comenta. “A gente precisa de uma política nacional de segurança pública e que fosse possível fazer a integração da União com os Estados, porque isso é interpretado como uma invasão de competência da União nos Estados. Mas não é invasão de competência, é uma necessidade real”, diz. O Estadão procurou o governador, mas não obteve resposta.

Assim como Caiado, o governador de Goiás, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, também investe no bordão “Aqui, bandido muda de profissão ou vai embora”.

Considerando dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública, o Estado do Paraná registrou uma redução de cerca de 14,9% nos índices de homicídio doloso nos anos de gestão de Ratinho Júnior. Em um cenário de segundo turno contra Lula, Ratinho alcançaria, segundo pesquisa mais recente, 36% do eleitorado, contra 45% do petista.

O governador afirmou em nota que foi feito um investimento de R$ 1,2 bilhão em infraestrutura e equipamentos na área”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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