Quarta-feira, 27 de maio de 2026

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Brasil Com a imagem desgastada após as denúncias da Operação Lava-Jato, o senador Aécio Neves terá participação reduzida na próxima convenção nacional do PSDB

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A intenção é evitar que a imagem desgastada de Aécio (foto) possa, de alguma forma, ser associada à de Alckmin, pré-candidato à Presidência da República. (Foto: Marcelo Camargo/Abr)

Com a imagem desgastada após as denúncias da Operação Lava-Jato, o senador Aécio Neves (MG) terá participação reduzida na próxima convenção nacional do PSDB, marcada para o dia 9 de dezembro. O mineiro, afastado da presidência do partido desde maio, nem sequer deve discursar no evento que alçará o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao comando nacional da legenda.

A intenção é evitar que a imagem desgastada do senador possa, de alguma forma, ser associada à de Alckmin, pré-candidato à Presidência da República. A transmissão do cargo, por exemplo, deve ficar a cargo de Alberto Goldman, presidente interino da legenda. Aliados de Alckmin querem evitar até mesmo que o senador mineiro seja fotografado ao lado do governador paulista.

“O Alckmin ficará muito feliz em ser o Goldman [que fará a transmissão do cargo]. Mais do que isso não posso falar”, disse o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), um dos principais aliados de Aécio.

O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (PSDB-SP), ligado a Alckmin, afirma que caberá ao próprio Goldman definir a participação de Aécio. “Isso não está combinado, precisa ver com o Goldman, ele que vai conduzir o partido na convenção”, disse. Segundo ele, a ideia é que apenas líderes de bancadas na Câmara e no Senado e governadores discursem na convenção.

Planilhas

A PF (Polícia Federal) apreendeu no gabinete de Aécio Neves (PSDB-MG) no Senado 14 folhas com planilhas que detalham indicações políticas a cargos nos mais diferentes órgãos da administração pública federal em Minas Gerais. Além disso, Aécio detinha um mapeamento de cargos da União disponíveis no Estado, com as respectivas remunerações e vagas em aberto. Um dos documentos traz a data de 10 de fevereiro de 2017, o que indica a influência do senador no governo do presidente Michel Temer.

Os papéis foram apreendidos pela PF em 18 de maio deste ano, dia em que foi deflagrada a Operação Patmos, autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). No mesmo dia, a PF fez buscas em imóveis ligados ao senador em Brasília, Rio e Minas e prendeu preventivamente a irmã dele, Andrea Neves.

O senador e candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014 foi citado nas delações premiadas dos executivos do grupo J&F como beneficiário de repasses de recursos pelo grupo. Em junho, a Procuradoria-Geral da República denunciou Aécio por corrupção passiva e obstrução de Justiça, pelo suposto recebimento de propina de R$ 2 milhões da J&F.

A planilha intitulada “Indicações para Cargos Federais – Minas Gerais” detalha quem indicou (político e partido) e quem foi indicado para 16 cargos em dez órgãos do governo federal em Minas. É essa planilha que traz a data “10/02/2017”. Os órgãos são Serviço Geológico do Brasil, Superintendência Federal de Agricultura, Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Caixa, Ceasa, CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), Ibama, DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), Geap e Companhia de Armazém e Silos de Minas.

Para cada nome há observação sobre efetivação ou não da indicação e a existência de pendências. Em pelo menos um caso, um ex-secretário parlamentar de um deputado aliado de Aécio assumiu um dos cargos listados. Os outros mapeamentos traziam cargos com possibilidade de serem preenchidos. A planilha principal trazia o título: “Recrutamento Amplo Político em Minas Gerais”. Outra, indicava “recrutamento restrito”, com indicações de cargos técnicos. Outros papéis traziam referência a um dos aliados de Aécio, o deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). Neste caso, a planilha traz a indicação de “Cargos em Órgãos Importantes Brasília/Rio”.

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