Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 4 de novembro de 2018
O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), promete apostar em uma nova dinâmica para construir a relação do governo com o Congresso Nacional. Ainda embrionária, a estratégia é usar o peso do resultado das urnas para formar maioria e, caso seja necessário, a pressão das redes sociais para fazer avançar sua agenda.
Ao nomear o juiz Sérgio Moro para o superministério da Justiça, o futuro governo sinaliza ainda que será inflexível na proposta de não trocar apoio por cargos, ao mesmo tempo em que reforça a euforia de seus apoiadores. A aposta do presidente eleito é que a nomeação de Moro ajude a manter sua popularidade em alta e lhe dê força para se sobrepor no Congresso aos interesses da velha política. Parlamentares, porém, são céticos em relação à implementação de um novo modelo que não passe pela tradicional negociação do Palácio do Planalto com os partidos.
O primeiro desafio do novo governo será votar a reforma da Previdência. Bolsonaro verbalizou que gostaria de ver aprovado algum projeto da área antes mesmo de tomar posse. Mas lideranças dizem que não há clima agora para passar o texto do governo Michel Temer.
Deputado reeleito, delegado Waldir (PSL-GO) avalia que a forma de Bolsonaro se comunicar com a população será fundamental para aprovar a reforma:
“Podemos trabalhar com as bancadas e com auxílio dos governadores e prefeitos, que também estão interessados, por exemplo, na reforma da Previdência. Mas a linha é sem negociação com partidos em troca de cargos. Isso ficou claro para todo mundo com a nomeação de Moro.”
Parlamentares experientes avaliam que popularidade é um ponto importante para o governo na hora das votações. Mas, para conseguir governar, o presidente não poderá prescindir de negociar com o Congresso por meio dos partidos – ainda que em novos termos.
“Colocar o Moro é positivo para que ele mantenha a chama acesa com o povo. Isso, no entanto, de maneira nenhuma dará a ele a posição de não precisar negociar. Mas o Congresso vai ter que se enquadrar e não esperar o toma lá dá cá”, pontua o deputado José Rocha (BA), líder do PR.
Vantagem relativa
O atual líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), concorda que as redes sociais têm um papel importante e entende que o presidente eleito deve continuar usando esse expediente para se comunicar com a população. Ele pondera no entanto que a popularidade de Bolsonaro não é absoluta e que o país vem de uma eleição em que houve alta polarização. O peso das redes como ferramenta de pressão sobre os parlamentares, avalia, é relativo:
“É natural que ele continue usando as redes sociais, que têm muita influência sobre a população. Mas o ambiente também está muito polarizado. Naturalmente haverá embates nas redes sociais sobre temas polêmicos como a reforma da Previdência. As redes têm um papel importante. Mas isso não quer dizer que o Bolsonaro vai colocar um tema e terá aderência imediata no Congresso.”
Filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) deverá ter um papel central na relação do Planalto com o Congresso. Ele já disse, em entrevista ao jornal O Globo, que é possível usar a pressão das redes para convencer os parlamentares a votar com o governo.
Chefe tuiteiro
A exemplo do que acontece nos Estados Unidos, o Brasil caminha para ter um chefe tuiteiro, apelido que o presidente norte-americano Donald Trump recebeu.
Nos EUA, imprensa e população descobriram que a melhor forma de saber o que o presidente está pensando é acessando o Twitter. A rede social é usada pelo americano para se manifestar sobre todos os assuntos.
Os seguidores do perfil do americano somam 55,6 milhões. Um dia antes de ser eleito, em 2016, eram 19 milhões.
Se na campanha Bolsonaro quebrou quase todas as regras de marketing político mostrando a força das redes sociais. Se tudo parecia improvisado, o crescimento consolidado a cada pesquisa mostrou um preparo poucas vezes visto em um candidato e o aparente amadorismo foi capaz de angariar apoios e colaboradores espontâneos.
Até este domingo, o perfil do Twitter de Bolsonaro tinha 2,3 milhões de seguidores, com 5.432 tweets.
O uso de redes sociais se manterá e será um canal direto, segundo o próprio Bolsonaro. Na última quarta-feira, o presidente eleito usou sua conta de Twitter para dar um recado: “Nossos ministérios não serão compostos por condenados por corrupção, como foram nos últimos governos. Anunciarei os nomes oficialmente em minhas redes. Qualquer informação além é mera especulação maldosa e sem credibilidade”.
Os comentários estão desativados.