Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 4 de junho de 2020
Não bastasse o coronavírus, outra ameaça sanitária “se espraia” pelo Rio Grande do Sul: a dengue. Conforme o governo do Estado, em 387 das 497 cidades gaúchas já são pelo menos 3,6 mil notificações desde janeiro, seis delas fatais. Desde 2011 não eram registrados no Estado tantos diagnósticos positivos e fatais da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti – e o segundo semestre ainda nem chegou.
Desse total, segundo a SES (Secretaria Estadual da Saúde), quase 2,7 mil são autóctones (contraídos no Rio Grande do Sul). Em relação às mortes pela doença, o grupo de vítimas é formado por dois indivíduos residentes nos municípios de Santo Ângelo (Região das Missões), três em Santo Cristo (Noroeste) e um em Venâncio Aires (Vale do Rio Pardo). São homens e mulheres com idades entre 60 e 88 anos.
A região gaúcha com maior infestação do inseto é a Noroeste, devido a aspectos como clima favorável ao mosquito e a própria falta de cuidados por parte das comunidades sobretudo no que se refere à prevenção – os focos de água parada ainda são um problema a ser superado. Até porque o Aedes aegypti é vetor também para outras duas doenças igualmente perigosas: o zika vírus a febre chikungunya.
Características
Doença febril aguda, que pode apresentar um amplo espectro clínico: enquanto a maioria dos pacientes se recupera após evolução clínica leve e autolimitada, uma pequena parte progride para doença grave. É a doença viral transmitida por mosquito que se espalha mais rapidamente no mundo, sendo a mais importante arbovirose que afeta o ser humano, constituindo-se em sério problema de saúde pública no mundo.
Ocorre e dissemina-se especialmente nos países tropicais e subtropicais, onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti.
Nos últimos 50 anos, a incidência aumentou 30 vezes com aumento da expansão geográfica para novos países e na presente década, para pequenas cidades e áreas rurais. É estimado que 50 milhões de infecção por dengue ocorram anualmente e que aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas vivem em países onde o dengue é endêmico.
As primeiras referências sobre epidemias da doença no Brasil datam do século 19. Há relatos de 1916 em São Paulo e de 1923 em Niterói (RJ), mas sem diagnóstico laboratorial. A primeira a ser documentada clinicamente ocorreu em 1981-1982, em Boa Vista (RR). Em 1986 ocorreram epidemias no Rio de Janeiro e outras capitais da Região Nordeste. Desde então, a dengue vem ocorrendo no Brasil de forma continuada.
No período entre 2002 a 2011, a dengue se consolidou como um dos maiores desafios de saúde pública no País. O processo de interiorização da transmissão vem sendo observado desde a segunda metade da década de 1990 e se manteve no período de 2002 a 2011.
Aproximadamente 90% das epidemias ocorreram em municípios com até 500 mil mil habitantes, sendo que quase 50% delas em municípios com população menor que 100 mil habitantes.
(Marcello Campos)
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