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Agro Combinação de árvores, gado e pastagens numa mesma área beneficia propriedades rurais

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Em Vale Verde, produtor aderiu ao sistema silvipastoril - opção tecnológica de consórcio de lavoura-pecuária-floresta. (Foto: Fernando Dias/Ascom Seapdr)

Unidades produtivas que têm apostado na integração de pecuária e floresta, com resultados positivos, estão sendo visitadas pela coordenação do Comitê Gestor Estadual do Plano ABC, que se encontra em fase de reativação. A ideia é identificar no Rio Grande do Sul, propriedades que sirvam de modelo dentro do contexto da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) e que possam ter suas experiências replicadas nas diversas regiões produtivas do Estado.

O engenheiro florestal Jackson Brilhante, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), que coordena o comitê gestor, conheceu, nas últimas semanas, sistemas implantados em Bagé e em Vale Verde. Em ambos, os produtores aderiram ao sistema silvipastoril, que é uma opção tecnológica de consórcio de lavoura-pecuária-floresta (consiste na combinação intencional de árvores, pastagens e gado numa mesma área e ao mesmo tempo).

Brilhante explica que os sistemas silvipastoris têm proporcionado novas fontes de renda aos produtores, por causa da madeira, e conforto térmico para os animais, devido à sombra gerada pelas árvores. Além disso, há outros benefícios como melhoria na qualidade do solo e na ciclagem de nutrientes, controle de erosão e aumento da matéria orgânica do solo.

“A inclusão de árvores nos sistemas agropecuários, em especial as de rápido crescimento, como os eucaliptos, potencializam a remoção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, o que gera um saldo positivo de carbono e evidencia a capacidade desses sistemas para a mitigação de gases de efeito estufa”, destaca o engenheiro florestal.

Campo nativo e a floresta

Em maio, Brilhante visitou uma unidade demonstrativa na Embrapa Pecuária Sul, em Bagé, na zona sul do Estado, onde se colocou em prática o sistema silvipastoril com eucalipto. Este modelo é acompanhado pelo pesquisador Helio Tonini, da Embrapa Pecuária Sul. Em 2012 iniciou-se um projeto no município com 15 pecuaristas familiares, a fim de propiciar nova experiência aos produtores com a silvicultura no campo nativo. O trabalho contou com financiamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e foi acompanhado por um conjunto de instituições, entre elas Embrapa e Emater/RS-Ascar.

Tonini conta que a intenção foi desenvolver um sistema que equilibrasse a criação de gado de corte, o campo nativo e o ciclo do eucalipto. Entre 2019 e 2021, em uma segunda fase do projeto, houve coleta de dados sobre a integração desses componentes. Descobriram-se alguns benefícios. Um dos retornos positivos, segundo o pesquisador, refere-se à comercialização da madeira gerada pelo raleio (desbaste) das árvores, acrescentando uma fonte de renda aos produtores.

Outro resultado observou-se sobre a qualidade do alimento ofertado para o gado. “A silvicultura ajudou a forragem a permanecer mais verde tanto no inverno quanto no verão”, explica Tonini. Em função da melhoria nas condições do campo, o sistema pode acarretar em aumento da produtividade dos animais, embora não tenha havido medição desse quesito nas propriedades integrantes do projeto.

O modelo silvipastoril também mitiga a emissão de carbono que se consegue a partir do tipo de solo, do espaçamento entre a linha de árvores, do material genético usado e do manejo adequado. “Isto significa que, com o uso do eucalipto, os pecuaristas familiares estão sequestrando carbono acima da taxa de lotação das áreas normalmente usadas no Pampa (em torno de 1 animal por hectare)”, acrescenta.

O pesquisador da Embrapa Pecuária Sul orienta os produtores rurais interessados em adotar sistemas de integração de culturas a procurarem por capacitações e assistências técnicas. “É necessário fazer intervenções e adotar manejos adequados para evitar colocar todo o sistema em risco. A palavra é equilíbrio”, recomendou.

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