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Economia Comércio do Brasil com a China dará um salto com a redução da burocracia, afirma diplomata

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Ex-embaixador em Pequim, Luiz Augusto de Castro Neves afirma que Pequim pode estar de olho em ferrovias eletrificadas no Brasil. (Foto: Divulgação)

As relações do Brasil com seu maior parceiro comercial, a China, poderão ganhar um novo estímulo se o governo Lula implementar medidas para facilitar e desburocratizar as exportações. Investimentos chineses no Brasil também poderiam dar um salto uma vez que o ambiente regulatório aqui se tornasse mais claro.

É o que afirma o ex-embaixador brasileiro em Pequim Luiz Augusto de Castro Neves, que há anos mantém uma interlocução constante com empresários e executivos dos dois países e conhece bem suas demandas.

Depois de ter vivido quatro anos na China, Castro Neves preside o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), entidade que reúne grandes grupos brasileiros, entre eles Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, BRF, JBS, Klabin, Suzano, Petrobras e Vale. Entre as associadas com capital chinês, a 99, CPFL Energia e o Bank of Communications.

Quanto a investimentos no Brasil, Castro Neves disse que o próximo alvo dos chineses – após fortes aportes no setor elétrico – poderá ser em ferrovias eletrificadas com vistas a melhorar o transporte de commodities brasileiras até os portos.

Ele vê também um interesse crescente da China por mais produtos do Brasil, para além dos poucos que hoje dominam a pauta de exportações para a China, entre eles soja, minério de ferro, carne, petróleo e açúcar. Mas essa ampliação e diversificação passa por mudanças internas. “Desde que a gente esteja em condições de fornecer esses produtos competitivamente no mercado internacional”, disse ele.

O ex-embaixador afirma ainda que a volta de um governo de esquerda, comandado por Lula – que, em tese, tem mais identificação com Pequim do que tinha o direitista Jair Bolsonaro – não deve trazer, por si só, mais fluidez ao comércio e aos investimentos. “Historicamente os chineses sempre separaram sua política externa de aspectos ideológicos.”

Questionado sobre o que cabe ao governo brasileiro fazer para estimular um aumento das exportações para a China e uma maior diversificação dessas exportações, Castro Neves respondeu: “Existem muitos obstáculos e um deles é a questão tributária. As empresas pagam imposto para exportar. Outra questão: há muitas vezes um emaranhado burocrático para as empresas exportarem e isso de certa maneira retira a competitividade das exportações brasileiras. Dito de outra forma, contribui para que as exportações brasileiras fiquem mais caras. Na verdade, o governo brasileiro poderia facilitar muito o ato de exportar, que não é fácil. São necessárias licenças de exportação, são necessários vários passos burocráticos que encarecem as nossas exportações. Isso afeta as exportações brasileiras de modo geral, inclusive para a China, que é o nosso principal cliente”. As informações são do jornal Valor Econômico.

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