Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 18 de agosto de 2026
A deterioração do valor das ações foi gradual.
Foto: Casas Bahia/DivulgaçãoAs ações da Casas Bahia passaram por uma das maiores desvalorizações entre as empresas do varejo brasileiro nos últimos anos. Os papéis da companhia, negociados na B3 pelo código BHIA3, chegaram a valer R$ 559 em julho de 2020. Seis anos depois, o valor caiu para a casa dos centavos, em meio ao agravamento da situação financeira da empresa.
A trajetória de queda ganhou novo impulso nesta semana após a Casas Bahia entrar com pedido de recuperação judicial. Na segunda-feira (17), as ações chegaram a despencar 33,3%, em reação à notícia. O movimento ocorreu depois de a companhia registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
O pedido de recuperação judicial foi apresentado no domingo (16) à Justiça de São Paulo e envolve dez empresas do grupo, entre elas Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e a fabricante de móveis Bartira. A dívida reconhecida no processo chega a R$ 17,3 bilhões. A companhia também informou que busca um financiamento de aproximadamente R$ 1 bilhão para recompor estoques e manter as operações durante o processo de reestruturação.
A deterioração do valor das ações foi gradual. Depois da máxima histórica de R$ 559 em 2020, os papéis passaram por sucessivas quedas. Dados de mercado mostram que a ação chegou a R$ 403,99 no fim de 2020, caiu para R$ 131,26 em 2021 e encerrou 2022 em R$ 60. Em 2023, estava na faixa de R$ 11,38.
A desvalorização se aprofundou nos anos seguintes, acompanhando os problemas financeiros da companhia. O cenário inclui juros elevados, crédito mais caro, redução do poder de compra das famílias e maior concorrência no comércio eletrônico. Especialistas também apontam o alto endividamento das empresas e a dificuldade de acesso a financiamento como fatores que vêm pressionando o varejo brasileiro.
A situação financeira da Casas Bahia se agravou mesmo após uma tentativa de reestruturação extrajudicial realizada em 2024. Segundo informações divulgadas no pedido apresentado à Justiça, a empresa chegou ao novo processo diante da dificuldade de renegociar seus compromissos e obter novos recursos para manter o funcionamento da operação.
Além das dívidas, a companhia anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários. O grupo afirma que as medidas fazem parte do esforço para reduzir custos e reorganizar suas atividades.
O prejuízo registrado no segundo trimestre também contribuiu para aumentar a pressão sobre os papéis. Dos R$ 10,1 bilhões negativos, aproximadamente R$ 9,1 bilhões decorreram de efeitos contábeis, sem impacto direto no caixa, relacionados principalmente à baixa de imposto diferido e à reorganização estrutural da companhia.
A crise da Casas Bahia ocorre em um momento de dificuldades para o varejo brasileiro. Entre junho de 2025 e junho de 2026, o número de empresas do setor em recuperação judicial aumentou 20,4%. A combinação de juros elevados, crédito restrito, consumo mais fraco e concorrência de plataformas digitais tem pressionado empresas de diferentes segmentos.
O grupo agora terá de apresentar um plano de recuperação aos credores e buscar condições para reorganizar suas dívidas e manter as atividades. A recuperação judicial permite a suspensão de determinadas cobranças e cria um processo para negociação dos débitos, sob acompanhamento da Justiça.
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