Terça-feira, 04 de Agosto de 2020

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Notícias Comunidade questiona a falta de segurança e manutenção do Parque da Redenção, em Porto Alegre

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Situação foi tema de um encontro em comissão da Câmara de Vereadores. (Foto: Arquivo/PMPA)

A Cefor (Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul) de Vereadores de Porto Alegre promoveu uma reunião, nessa terça-feira, para discutir os problemas enfrentados pelo Parque da Redenção, na região central da cidade. Em sessão coordenada por Airto Ferronato (PSB), presidente do colegiado, representantes de usuários e de entidades que atuam no bairro Farroupilha reivindicaram maior atenção da prefeitura para a manutenção e segurança da área.

Roberto Ivan Jakubaszko, coordenador do Conselho de Usuários do Parque Farroupilha, destacou que o espaço, de 69 hectares, originalmente era uma várzea com pouca vegetação que servia como bacia de contenção para a água da chuva. “Ao longo do tempo foi sendo vegetalizado e hoje é um dos raros parques centralizados do mundo. Em torno de 1 milhão de pessoas passam por ali a cada mês, além de aves migratórias”, frisou.

Jakubaszko ainda destacou os cinturões nas proximidades do Parque – da saúde, educação, cultura, gastronomia, comércio e entretenimento – que movimentam um alto valor. “O fluxo financeiro gerado dentro do Parque e no entorno é muito grande. Quanto desse dinheiro é revertido em melhorias para a Redenção e a comunidade?”, questionou.

O coordenador defendeu que cerca de 40% do valor arrecadado com impostos na Redenção possa ser reinvestido na região a partir de indicativos da própria comunidade. “O Parque está sujo, mal-cuidado, a água corre por dentro da Redenção nos dias de chuva. Falta segurança, falta fiscalização no Brique aos domingos”, afirmou, elencando os problemas que poderiam ser diminuídos com maior aporte de recursos.

Repúdio

Carlos Randazzo, presidente da Associação dos Amigos do Bom Fim, entregou documento de repúdio a projeto que possibilita novas construções no Parque Farroupilha. Ele destacou que há uma tendência mundial de preservação das áreas verdes e que a Redenção “é um índice cultural de Porto Alegre”. O dirigente também lembrou que há referências à cultura de diversos lugares do mundo dentro no Parque e defendeu um aporte maior de recursos para a preservação do Parque.

Já Felisberto Luisi, conselheiro da Região de Gestão de Planejamento 1 no CMDua (Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental), destacou a contribuição da Redenção para a memória e a identidade de Porto Alegre. Posicionando-se contra a terceirização ou privatização do parque, disse que competência não tem a ver com público ou privado, mas com boa gestão.

“Quem tem o compromisso de manter o Parque não o faz. Por quê? Para privatizar?”, questionou. Para ele, a modernidade de uma cidade “não está em construir prédios, mas em resolver os seus problemas”.

Presidente do Centro Cultural Chinês e professor de artes marciais, Sérgio Queiroz lamentou a falta de segurança a de conservação no local, especialmente do Recando Oriental. Segundo ele, muitos pais de alunos não deixam mais seus filhos praticarem as atividades nesse espaço, por medo da violência.

O aumento da insegurança também foi apontado pela vice-presidente da Associação Gaúcha de Atletismo Master (Avega), Vera Lúcia Lopes. Ela pediu mais atenção da prefeitura para a manutenção do parque Ramiro Souto (que funciona dentro da Redenção) e demais instalações.

Mobilização

O vereador Felipe Camozzato (Novo), vice-presidente da Cefor, destacou que a mobilização social é “extremamente relevante e denota a importância do Parque”. Ele citou como exemplo de boa gestão o Central Park, em Nova York (Estados Unidos), onde há uma gestão colaborativa entre a sociedade e o setor privada.

Sobre a possibilidade de novas construções, ponderou que algumas, como banheiros e vestiários, podem ser importantes, mas que é preciso haver a aprovação para cada uma delas. Também refutou a ideia de diminuição da área verde da Redenção.

A Comissão prometeu fazer uma análise detalhada do projeto de lei que trata sobre novas construções. Também informou que solicitará à prefeitura maior atenção ao Parque. Também participaram do encontro os vereadores João Carlos Nedel (PP) e Mauro Pinheiro (Rede), além de Diovani Machado, ex-administrador do Parque e representante da Smams (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade).

(Marcello Campos)

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