Quarta-feira, 13 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de agosto de 2017
Pelo menos duas pessoas ficaram feridas durante um confronto entre supremacistas brancos e antifascistas na cidade universitária de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia, segundo a CNN. O ato violento aconteceu neste sábado (12) após protesto da extrema-direita dos EUA que é contra negros, imigrantes, gays e judeus no dia anterior.
Durante o protesto violento, a cidade declarou estado de emergência. Em comunicado no Twitter, chega a citar o confronto como uma “iminente guerra civil”. Segundo a polícia de Virgínia, alguns manifestantes foram detidos durante o confronto.
Na noite desta sexta-feira (11), centenas de homens e mulheres carregavam tochas, fizeram saudações nazistas e gritavam palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.
O protesto foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o evento “Unir a Direita”, que acontece neste sábado na cidade e prometia reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.
Protesto de sexta-feira
Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: “Vocês não vão nos substituir”, em referência a imigrantes; “Vidas Brancas Importam”, em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e “Morte aos Antifas”, abreviação de “antifascistas”, como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.
Estudantes negros do campus da universidade da Virginia, onde ocorreu a marcha, e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma “parede-humana” para impedir a chegada dos manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson.
“Fogo! Fogo! Fogo!”, gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.
Em número bem menor, o grupo que fazia oposicão à marcha foi expulso da estátua em poucos minutos. A reportagem flagrou homens lançando tochas sobre os estudantes, enquanto estes, por sua vez, dispararam spray de pimenta nos olhos dos oponentes.
A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto.
“Esta manifestação é ilegal”, afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram. A polícia não confirmou se houve presos.
Arrests are being made following declaration of unlawful assembly at Emancipation Park in Charlottesville. #cvilleaug12 pic.twitter.com/6XAn1hYLAS
— VA State Police (@VSPPIO) August 12, 2017
Here is a copy of today's emergency declaration regarding the rally at Emancipation Park #cvilleaug12 pic.twitter.com/TOdXkhjuXK
— Charlottesville City (@CvilleCityHall) August 12, 2017
Nazis
“Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim”, afirmou um homem, em frente à reportagem, durante uma discussão com um dos membros do grupo opositor.
Ao contrário das especulações anteriores, a marcha incluiu muitas mulheres, que também seguravam tochas.
A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. “Eu aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento para a minha filha”, afirmou o pai.
“Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país”, disse a mãe. A conversa foi interrompida por um homem forte e careca. “Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque dele!”, afirmou, rindo, em referência ao repórter.
A família se afastou e se juntou ao coro, que cantava “Judeus não vão nos substituir”. Os três seguravam tochas.
“Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?”, questionou o homem a um grupo de jornalistas.
As tochas são uma marca da Ku Klux Klan, grupo fundado pouco depois da guerra por ex-soldados confederados – derrotados no conflito. Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK rapidamente começou a promover a violência contra populações negras do sul dos EUA.
Alt-right
O prefeito de Charlottesville divulgou uma nota após a marcha, classificando o ato como “uma parada covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância”.
“A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica, então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e desprezível de intimidação visual em um campus universitário”.
Para o protesto deste sábado, são esperadas figuras como Richard Spencer, criador do termo alt-right, uma abreviação de “alternative right”, ou “direita alternativa”, em português. O grupo é acusado de racismo e antissemitismo e têm representantes no governo de Donald Trump.
Esta é a segunda vez que a cidade se torna sede de protestos de grupos supremacistas. Em 8 de julho, aproximadamente 40 membros da sede local da Ku Klux Klan também acenderam tochas em Charlottesville. (AG)
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