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Por Redação O Sul | 7 de junho de 2019
O presidente Jair Bolsonaro disse na quinta-feira, em Buenos Aires, que Brasil e Argentina poderiam ter uma moeda comum , o “peso real”. A ideia, criticada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, seria apenas uma “ideia”, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes. Conheça a diferença entre as economias da Argentina e do Brasil.
Parceiros históricos, Brasil e Argentina atravessam neste momento dificuldades econômicas de natureza diferente. Enquanto o PIB (Produto Interno Bruto, conjunto de todas as riquezas geradas pelo país) do Brasil cresce a passos lentos após ter saído da maior recessão da história em 2017, a Argentina enfrenta desde o ano passado uma profunda crise financeira, que levou o presidente Mauricio Macri a pedir socorro ao FMI e, mais recentemente, a fazer um congelamento de preços.
Uma união monetária, se ocorrer, será um processo que levará muito tempo. O euro, moeda única europeia, é a única experiência do tipo no mundo. Adotado hoje por 19 dos 28 países da UE (União Europeia), o euro foi precedido por uma longo esforço de convergência de indicadores econômicos.
Os países que adotam o euro precisaram se adequar a critérios como inflação sob controle e déficit fiscal baixo. O euro começou a ser negociado em contratos e negociações eletrônicas em 1999, começou a circular em notas e moedas em 2002. Mas o processo teve início em 1992, com o Tratado de Maastricht, que estabeleceu os parâmetros para o livre comércio nos países membros da UE.
A Argentina é hoje o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás de China e EUA.
Cotação do dólar
Argentina
A Argentina sofre, desde o ano passado, com uma fuga de capitais que levou o presidente Mauricio Macri a bater às portas do FMI (Fundo Monetário Internacional). Mas nem mesmo o socorro recorde ao país — o Fundo liberou um pacote de ajuda de US$ 57 bilhões, no maior acordo do tipo já feito — evitou uma disparada do dólar frente ao peso.
Em 2018, o dólar subiu de 19 pesos no início do ano para 42 pesos às vésperas do acordo com o FMI. Este ano, já chegou a 45 pesos.
Brasil
A cotação do dólar no Brasil tem sofrido variações bem menos bruscas nos últimos meses. O real oscilou ao sabor das eleições em 2018, chegou a bater R$ 4,20 em setembro, influenciado também por uma piora na economia internacional, mas depois caiu para menos de R$ 3,70 logo após as eleições, com uma perspectiva mais otimistas dos analistas em relação a agenda de reformas prometida pelo então recém-eleito Jair Bolsonaro.
Este ano, a moeda chegou próximo de R$ 4,10 em meio a temores de que as reformas, sobretudo da Previdência, poderiam demorar para serem aprovadas. Este mês, as perspectivas melhoraram e o dólar já está abaixo de R$ 3,90.
Inflação
Argentina
Com a disparada do dólar frente ao peso, a inflação da Argentina subiu com força e superou os 50% nos últimos 12 meses. Em abril, o presidente Mauricio Macri anunciou um acordo para o congelamento de preços de 60 itens da cesta básica e de tarifas de serviços públicos. Foi uma guinada em relação à política anterior de Macri, que havia liberado o reajuste de tarifas como luz e gás, congeladas durante o governo anterior da presidente Cristina Kirchner.
Brasil
A inflação no Brasil está sob controle e deve ficar este ano perto do centro da meta definida pelo governo, que é de 3,5%. Sem variações bruscas no dólar, com a economia crescendo pouco e diante da ausência de pressão de tarifas como energia e combustíveis, que pressionaram a inflação em anos anteriores, a tendência é que os preços continuem sob controle.
Crescimento
Argentina
A economia argentina caminha para o seu segundo ano consecutivo de queda no PIB em 2019. No ano passado, além da crise financeira e da fuga de capitais do país, a Argentina sofreu um baque em sua principal atividade econômica: o agronegócio. O país viveu sua maior seca em décadas e houve uma quebra de safra de 35% da soja. O PIB caiu 2,5%. Este ano, a previsão é de nova retração no PIB, de 1,2%.
Brasil
O País deve repetir em 2019 o fraco crescimento de 2018 e 2017, quando o PIB teve expansão de apenas 1,1%. A economia brasileira viveu sua recessão mais profunda e duradoura entre 2014 e 2016. A retomada, desde 2017, está ocorrendo a passos lentos e, por isso, analistas não descartam o risco de uma nova recessão. A expectativa do mercado é que a aprovação da reforma da Previdência e, em seguida, de uma agenda de mudanças para destravar a economia, como a reforma tributária e as privatizações, ajudem na retomada de um crescimento mais vigoroso. As informações são do jornal O Globo.
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