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Você viu? Conheça o quadro psiquiátrico que leva a mentira compulsiva

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A famosa história infantil do boneco Pinóquio, cujo nariz crescia sempre que o mesmo contava uma mentira. (Foto: Reprodução)

Todo mundo mente de vez em quando. Seja para não magoar os sentimentos de pessoas queridas ou para fazer pegadinhas no 1º de abril, há situações em que a sociedade considera aceitável faltar com a verdade. No entanto, há pessoas que desenvolvem uma compulsão por mentir chamada mitomania que pode afetar muitos aspectos de suas vidas.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, a psicóloga Sarah Lopes, do Hapvida Saúde, definiu que um dos principais sintomas da mitomania é a mentira compulsiva. Isso quer dizer que a pessoa mente sem necessidade e sem pensar nas consequências. Ela ressaltou, também, que o mitomaníaco geralmente mente com o intuito de ter algum benefício próprio:

“Esse ganho às vezes é mínimo, pode ser que ele queira se dar bem numa história ou ser engraçado”.

A professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Leila Tardivo, considera que a mitomania tenha as características semelhantes a um transtorno de personalidade. “São pessoas que mentem conscientemente, às vezes até compulsivamente e, muitas vezes, com a intenção mais de se salvar ou prejudicar o outro”, disse ao Estadão.

As duas especialistas concordam que a mentira compulsiva geralmente está associada a outros tipos de compulsões: por comer, por compras, por bebida alcoólica, por álcool, entre outras.

Pequenas coisas

Sarah explicou que a compulsão pode partir de coisas pequenas. Ela atende muitas mulheres que começam a mentir por causa de roupas, por exemplo. Uma mitomaníaca compra uma peça por R$ 500, mas insiste em dizer que custou R$ 150 porque diz que o marido vai brigar.

“Só que isso pode virar uma compulsão por compras, por exemplo, e ela vai continuar mentindo o valor das peças. Às vezes, os parentes não vão brigar, mas ela já está tão acostumada a mentir que ela continua falando que gastou menos”, contou a psicóloga.

Leila acredita que outra causa comum para o desenvolvimento da mitomania é a negação da história pessoal ou de sua condição social. “Estamos falando de alguém que está sofrendo por não aceitar a própria realidade e que mente conscientemente”, apontou.

A professora deixa claro que há gradações nos casos de mentira compulsiva. Casos como, por exemplo, nos quais o doente não aceita sua realidade ou que mente para se engrandecer, não se comparam a situações em que a pessoa mente para prejudicar os outros ou causar algum mal.

Mais frequência

Normalmente são as pessoas ao redor do mitomaníaco que detectam a compulsão. Isso acontece porque o doente começa a mentir com mais frequência e mais intensidade do que seria o considerado normal. Como consequências, ele pode enfrentar exclusão social, ser afetado no trabalho e, até mesmo, perder o controle da vida financeira.

“E se o paciente perceber que está sendo excluído ou que sua vida financeira está indo por água abaixo, isso vai gerar outros fatores como baixa autoestima e depressão”, disse Sarah.

Psicoterapia

As duas especialistas recomendam psicoterapia atrelada a medicação como tratamento. A terapia deve lidar com os motivos que levam o mitomaníaco a mentir, ao passo que os remédios devem cuidar de aspectos como ansiedade, compulsividade e depressão.

“Todos nós temos fragilidades e deficiências. É muito difícil reconhecer isso e, apesar de ser importante para o crescimento e amadurecimento pessoais, algumas pessoas têm mais dificuldade de fazê-lo. Nesse sentido, a psicoterapia deve ajudar”, explicou Leila.

“Nenhum processo de transtorno psicológico tem cura, mas sim controle, porque o psicológico humano é muito subjetivo. Pode ser que ele tenha recaída por causas diversas, mas existe, sim, um controle: ele consegue controlar melhor seus impulsos e ter uma vida normal”, disse Sarah.

 

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