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Saúde Consumo de café, arroz e feijão cai, mas alimentos continuam preferidos pelos brasileiros; uso de sal e adoçantes cresce

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É o que mostra a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Produção de feijão no Brasil terá de crescer em torno de 44% até 2050. (Foto: Divulgação)

O café foi o alimento consumido pelos brasileiros com mais frequência (78,1% da população) entre junho de 2017 e julho de 2018, tanto por homens (77,9%), quanto por mulheres (78,4%). Em seguida, aparecem dois produtos da dieta tradicional do País. Um deles é o arroz, com 76,1% de frequência de consumo, acompanhado pelo feijão, com total de 60%. Ambos tiveram queda, mas seguem na preferência. O alimento menos consumido com frequência pelos brasileiros no período pesquisado foi o ovo, com total de 13,9%. Já o sal e o adoçante tiveram alta.

As informações constam da POF 2017/2018 (Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil), divulgada nesta sexta-feira (21) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O estudo foi realizado em parceria com o Ministério da Saúde.

Foram ouvidos no estudo 46.164 moradores de 20.112 domicílios com 10 anos ou mais de idade, que informaram o consumo alimentar para dois dias. A análise evidencia que arroz, feijão e café foram os mais consumidos por adolescentes e adultos, embora mostrando redução em relação ao primeiro levantamento, em 2008/2009. O feijão caiu de 72,8% para 60% da população e o arroz, de 84% para 76,1%. Entre os idosos, o consumo de café subiu na mesma comparação, de 86,6% para 87,1%. A queda do consumo de arroz foi observada no Sudeste, Sul e Centro-Oeste e foi mais acentuada entre a parcela da população (25%) com maior renda, passando de 79,9% para 67,1%.

Os pesquisadores do IBGE avaliaram que o consumo de frutas e verduras continuou muito aquém do recomendado, embora o consumo de saladas cruas tenha aumentado tanto para adolescentes, quanto para adultos e idosos. Em geral, o consumo de saladas cruas passou de 16% para 21,4%. O consumo de frutas teve queda entre os dois períodos. Em contrapartida, o consumo de preparações aumentou. Um exemplo são os sanduíches, cujo consumo cresceu em todas as regiões do Brasil e em todas as classes de renda, apurou o IBGE. Já o consumo de refrescos e refrigerantes caiu para todos os grupos etários.

As maiores médias de consumo diário por indivíduo, foram encontradas no café (163,2 gramas/dia), feijão (142,2 g/dia), arroz (131,4 g/dia) e sucos (124,5 g/dia).

Fora do domicílio

A participação da alimentação fora do domicílio destaca a cerveja, consumida por 51% da população, sendo 52,8% homens, e 45,5% mulheres. Bebidas destiladas vêm em seguida, com participação de 44,1% no consumo. Na terceira posição estão salgados fritos ou assados, com 40,1%.

A prevalência de consumo alimentar fora do domicílio caiu de 40,2% na POF 2008/2009 para 36,5% na pesquisa 2017/2018, registrando maior consumo fora de casa no Centro-Oeste (47,7%, contra 42% na POF anterior). A maior redução foi encontrada na Região Norte, com 30,5%, contra 42,6% na pesquisa 2008/2009.

O IBGE destacou que a alimentação fora do domicílio pode não representar o consumo de todos os alimentos preparados fora de casa, pois são incluídos nessa estimativa somente os produtos preparados e consumidos fora do domicílio. Isso significa que alimentos trazidos de restaurantes para dentro de casa e provenientes de serviços de entrega em domicílio são incluídos na alimentação dentro de casa.

Os itens mais consumidos fora de casa pelos adolescentes foram cerveja (65,4%), vinho (49,9%) e outros pescados (42,6%). Entre os adultos, prevaleceram bebidas alcoólicas, salgados fritos e assados e sorvete/picolé. Os idosos, por sua vez, priorizaram bebidas destiladas (40,2%), cerveja (32,5%) e bolos recheados (31,3%).

Dieta

De acordo com a classificação nova introduzida pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, editado em 2014, os alimentos in natura ou minimamente processados são os que apresentam maior participação relativa no total de calorias, com 53,4%. Os destaques são para os que constituem a base de uma alimentação saudável e que representaram mais da metade das calorias consumidas pela população brasileira no período pesquisado, a exemplo do arroz, feijão, carnes, frutas, leite, macarrão, verduras, legumes, raízes e tubérculos.

O guia recomenda que os alimentos ultraprocessados devem ser evitados. Nesse grupo de alimentos, a participação relativa no total de calorias alcançou 26,7% para os adolescentes, 19,5% para os adultos e 15,1% para os idosos. Nesse grupo estão biscoito salgado e salgadinho “de pacote”, biscoitos doces, refrigerantes, cachorro-quente, hambúrgueres e outros sanduíches, bebidas lácteas, pizza. Os ultraprocessados têm participação relativa de 19,7% no total de teor calórico.

Entre os brasileiros entrevistados, 19,2% consumiram pelo menos um suplemento alimentar entre 2017 e 2018. O percentual subiu para 34% entre idosos. Disseram ter algum tipo de restrição alimentar 13,9% do total, que entre os idosos, esse percentual foi de 27,3%. Nesse grupo foram encontrados 23,4% de pessoas que afirmaram fazer tratamento de doenças crônicas. As restrições para emagrecer foram mais frequentes nas mulheres adultas (9,4%), enquanto as relacionadas às doenças crônicas ou distúrbios metabólicos, como hipertensão ou doença cardiovascular, foram relatadas por 26,8% das mulheres idosas e 19,1 % dos homens idosos.

A adição de sal de cozinha a preparações prontas de alimentos foi indicada por 14,5% dos adultos e por 12,5% dos adolescentes. O uso de açúcar para adoçar alimentos e bebidas teve média total de 85,4% de respostas, sendo 93% adolescentes, 85,7% adultos e 72,1% idosos.

No caso do adoçante, a presença na mesa brasileira teve alta de 9,1 mil p.p. em dez anos – passou de 0,1% dos domicílios para 9,2% entre 2009 e 2018.

O sal era adicionado em comidas prontas por 13,5% da população resultando na ingestão de sódio acima do limite por 53,5% dos brasileiros, índice mais elevado em homens adultos (74,2%) e menor em mulheres idosas (25,8%).

Fibras

Segundo o IBGE, o conteúdo em fibra da dieta caiu entre as duas pesquisas, tanto para homens quanto para mulheres e em todas as faixas de idade, sendo mais percebido entre as mulheres idosas (24%), o que pode indicar má qualidade da alimentação, devido principalmente à redução do consumo de feijão, uma das principais fontes de fibras alimentares na dieta do brasileiro.

Foi registrada prevalência de ingestão abaixo das necessidades para cálcio, vitamina D e vitamina E em adolescentes de ambos os sexos, superior a 85% nos dois períodos analisados. Nesse mesmo grupo etário, o predomínio de ingestão inadequada de piridoxina e vitamina A esteve entre 65% e 85%. Foi verificada prevalência de ingestão inadequada abaixo de 15%, nos dois períodos, para cobalamina e cobre.

Adultos e idosos apresentaram alta prevalência de ingestão inadequada (superior a 50%) para cálcio, magnésio, vitamina A, tiamina, piridoxina, vitamina D e vitamina E, em ambos os sexos e ambos os períodos. Na POF 2017/2018, a riboflavina se somou a esses nutrientes, nos adultos.

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