Segunda-feira, 22 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 30 de junho de 2017
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) informou nessa sexta-feira que a bandeira tarifária de julho será amarela, o que implicará a cobrança-extra de 2 reais para cada 100 kilowatts-hora (kWh) consumidos em julho. Depois de passar os meses de abril e maio na cor vermelha, patamar 1, com uma taxa extra de 3 reais para cada 100 kWh consumidos, a bandeira ficou verde em junho e cobrança foi suspensa.
Ainda de acordo com a Aneel, “o fator que determinou para o acionamento da bandeira amarela foi o aumento do custo de geração de energia elétrica.”
Cores
A evolução das cores da bandeira tarifária indica que o custo de produção de energia no País aumentou. O fato está relacionado à ocorrência de chuvas abaixo do previsto, o que acaba reduzindo o armazenamento de água nos reservatórios das hidrelétricas ou, então, fazendo com que esse armazenamento suba menos que o esperado.
Quando isso acontece, aumenta a necessidade de uso da energia gerada por termelétricas, que é mais cara que a fornecida pelas hidrelétricas, pois as primeiras utilizam combustível para produzir eletricidade. Dessa forma, aumenta a cobrança-extra da bandeira nas contas de luz.
A bandeira ficar verde quando há pouca ou nenhuma necessidade de geração de energia por termelétricas. Se essa necessidade aumenta um pouco, a bandeira fica amarela e passam a ser cobrados 2 reais adicionais dos consumidores, para cada 100 kWh consumidos.
Já quando o custo sobe muito, entra em cena a bandeira na cor vermelha, que pode variar entre dois patamares. A cobrança-extra nas contas de luz varia de 3 reais a 3,50 reais para cada 100 kWh usados.
Expectativa
O retorno para a bandeira amarela era esperada pelo mercado em algum momento deste ano, mas a adoção para julho não estava no cenário de muitos economistas e especialistas do setor.
O impacto da mudança da bandeira verde para amarela no IPCA é de 0,14 a 0,15 ponto porcentual, segundo os economistas. No caso da MCM Consultores, a projeção para julho foi alterada para 0,40%, de 0,25% antes do anúncio da Aneel. Mas o economista Caio Napoleão explica que essa diferença vai ser devolvida em agosto, para quando a consultoria esperava a adoção da bandeira amarela. A estimativa para o IPCA do oitavo mês do ano passou de 0,35% para 0,20%.
Para 2017, a previsão da MCM Consultores permanece em 3,75%. “Para a inflação do ano, não muda nada, porque o que vale é como vai terminar em dezembro e, como já esperávamos a adoção da bandeira amarela em agosto e mantida até o fim do ano, nada muda”, diz Napoleão.
O economista Leonardo França Costa, da Rosenberg Associados, também diz que já esperava a mudança para este ano, mas para agosto. “Não surpreende, dadas que as correções estão sendo mais tempestivas, e não mudam projeção para o ano”, afirma, completando que a notícia não altera o quadro de desinflação para 2017. A previsão da Rosenberg é que o IPCA termine este ano em 3,50%.
Nas contas de França Costa, o efeito da bandeira amarela sobre o IPCA de julho deve ser de 0,14 ponto porcentual. Com isso, sua estimativa para o dado fechado do sétimo mês saiu de 0,13% para 0,27%. “Como foi uma antecipação, não modificou a expectativa para o IPCA do ano”, diz a economista Juliana Kitazato, da LCA Consultores, que mantém a expectativa de 3,80% para a inflação fechada em 2017.
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