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Geral Continua a repercussão sobre o casamento do militar gay que, na cerimônia de núpcias, comparecerá com a farda

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No início deste ano, Miguel Martins (E) e o modelo Diego Souza ficaram noivos. (Foto: Reprodução)

Usando túnica branca com botões dourados e quepe na cabeça, o soldado Miguel Martins, 29 anos, será o primeiro policial gay a casar com o uniforme de gala em 178 anos da BM (Brigada Militar) gaúcha.

Martins trabalha no policiamento ostensivo nas ruas de Uruguaiana. Há uma década ele vestiu a farda comum pela primeira vez e no mesmo período assumiu para a família que era homossexual.

No início deste ano, Martins e o modelo Diego Souza, 21, ficaram noivos e decidiram morar juntos. O casamento está agendado para 23 de dezembro, possivelmente em uma cerimônia ao ar livre, para aproveitar o calor típico do verão que costuma fazer na cidade.

“Decidimos lutar contra o preconceito. Ele não é diferente de ninguém. Tentaram prejudicar, mas o efeito foi justamente o contrário”, comenta Souza. O rapaz se refere aos comentários homofóbicos recebidos desde que divulgaram nas suas redes sociais que estavam noivos. “Eu ia casar em uma cerimônia simples, depois disso decidi lutar pelo meu direito”, diz Martins.

As reações contrárias fizeram com que o chefe de Martins, o tenente-coronel Roberto Ortiz, 51, comandante do 1 BPAF (Batalhão de Patrulhamento de Áreas de Fronteira) encaminhasse a questão ainda mais rápido. Para ele, não há nada que impeça o soldado de usar o traje de gala.

“É uma prerrogativa da nossa profissão. Podemos usar todos os nossos uniformes, desde que respeitando as patentes”, afirma Ortiz.

O oficial e o soldado receberam aval também do comandante-geral da BM, o coronel Alfeu Freitas Moreira. “Quanto mais os policiais militares estiverem bem na vida particular, será melhor. A gente quer que tenham uma vida boa, tranquila”, diz Moreira.

“O que nós combatemos é o PM [policial militar] fardado em um bar de quinta categoria bebendo, na zona do meretrício. Daí, sim, é incompatível”, afirma Moreira.

Ortiz é um dos convidados do casal. Outros dois militares serão padrinhos e todos colegas de BM deverão usar seus trajes de gala como forma de apoio. É uma tradição que policiais militares usem o uniforme de ocasiões especiais em seus casamentos e bailes oficiais.

Preconceito.

Martins conta que sofre um preconceito “velado” de alguns colegas no dia a dia. Em 2009, quando trabalhava em Alvorada, sentiu certa rejeição.

“Todos tinham conhecimento da minha orientação sexual. Alguns não aceitavam e não tinham coragem para falar comigo. Não eram homens suficientes para falar na cara”, conta o soldado. “Sou um policial honesto e correto. Tenho que ser ainda mais correto porque sempre tentam achar um erro meu para apontar”, relata.

Na internet, porém, os ataques são frequentes e o casal estuda tomar ações jurídicas.

O comandante de Martins conta que o noivo participa das atividades que incluem as famílias dos policiais. “Para a gente, é normal”, garante o tenente-coronel. Nas ruas, o soldado diz que também é tratado com naturalidade.

“Na cidade, todo mundo sabe que eu sou gay. Nunca vi nada hostil da parte da comunidade. Quando faço abordagens, eu sou o soldado Martins”, diz. (Paula Sperb/ Folhapress)

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