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Política CPI da Covid: Carlos Wizard respondeu 71 vezes que ficaria em silêncio durante seu depoimento

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Wizard é suspeito de integrar o suposto "gabinete paralelo" que aconselhava o presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

O empresário Carlos Wizard repetiu que permaneceria em silêncio 71 vezes em resposta a perguntas feitas pelos senadores durante seu depoimento na CPI da Covid nesta quarta-feira (30). Ele usou o direito constitucional de se manter calado conforme assegurado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Wizard é suspeito de integrar o suposto “gabinete paralelo” que aconselhava o presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia em contraposição ao Ministério da Saúde.

Em sua fala inicial, o empresário antecipou que ficaria em silêncio por orientação de seus advogados e em conformidade com a decisão da mais alta Corte do País. No discurso, repleto de citações religiosas, ele afirmou que jamais foi convidado ou abordado para participar de qualquer gabinete paralelo.

Apesar de adiantar que se valeria da prerrogativa de se manter calado, senadores independentes e da oposição insistiram nas indagações a Wizard. Com sutis variações, o empresário respondeu a quase todos os questionamentos dizendo que se reservaria ao direito de permanecer em silêncio.

O levantamento feito pelo jornal O Globo se baseou nas notas taquigráficas da sessão, disponíveis na página do Senado. Foram contabilizadas apenas as vezes em que o próprio Wizard disse expressamente que ficaria em silêncio como resposta às perguntas dos senadores. A fala inicial não foi considerada.

Enquanto o relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), seguia perguntando, o presidente da comissão Omar Aziz (PSD-AM) interveio:

“Veja bem, Sr. Carlos Wizard, o senhor pode até ficar em silêncio numa pergunta que possa lhe incriminar, é isso que o ministro Barroso falou para Vossa Excelência”, pontuou Aziz. “Só queria tentar contribuir, porque é melhor ele pegar um gravador e botar aqui, não precisa nem abrir a boca: “Me reservo o direito de ficar…”, prosseguiu.

A prerrogativa de ficar em silêncio foi usada pelo empresário mesmo quando a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) o questionou qual era sua religião, em razão das passagens bíblicas citadas por Wizard. Com a palavra, parlamentar, depois, insinuou que ele era “hipócrita” ao citar outro trecho religioso.

Wizard chegou para depor na CPI da Covid carregando uma placa com a inscrição “Isaías 41:10”, em referência ao versículo bíblico. O trecho do texto religioso mencionado diz: “Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa”.

O depoimento do empresário tem como um dos principais objetivos esclarecer se o suposto “gabinete paralelo”, que funcionava no Palácio do Planalto em contraposição ao Ministério da Saúde, foi financiado pela iniciativa privada.

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