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Política CPI da Covid criará canal de denúncias para vítimas do “tratamento precoce”

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Randolfe Rodrigues, pediu que à secretaria da CPI coloque no ar um canal de denúncias até o final desta semana. (Foto: Jefferson Rudy/Agencia Senado)

A CPI da Covid aprovou um requerimento do senador Alessandro Vieira para que seja criado um canal público de denúncias sobre eventuais vítimas de tratamentos não convencionais contra a covid-19.

Nesta terça-feira (28), a advogada Bruna Morato, que representa 12 médicos que atuaram em hospitais da Prevent Senior durante a pandemia, revelou que os funcionários eram obrigados a adotarem o chamado “tratamento precoce”, que era um coquetel de remédios sem eficácia comprovada contra a doença.

Há a suspeita de que, para além de não salvar pessoas infectadas com a covid-19, o conjunto de medicamentos era usado em detrimento de outras terapias, o que poderia abreviar a vida dos pacientes submetidos ao suposto tratamento. A ideia é que o canal seja usado por parentes de pacientes ou os próprios pacientes que tenham sido prejudicados ou coagidos a tomarem medicamentos como a cloroquina, a azitromicina e a ivermectina.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, pediu que à secretaria da CPI coloque no ar um canal de denúncias até o final desta semana.

“Pacto negacionista”

Ao longo de sete horas de depoimento à CPI da Covid nesta terça, a advogada Bruna Morato relatou uma rotina de ameaças a médicos da operadora de saúde Prevent Senior durante a pandemia de covid.

Ela apontou falta de autonomia dos profissionais, exigência da prescrição de remédios ineficazes e o envolvimento da empresa em um “pacto” com o chamado “gabinete paralelo” do Palácio do Planalto, que, segundo a CPI, orientava o presidente Jair Bolsonaro sobre condutas para o enfrentamento da pandemia.

A advogada representa 12 médicos que trabalharam para a operadora de saúde e os ajudou a elaborar um dossiê, formado por mais de 10 mil páginas, com denúncias sobre a operadora. A Prevent Senior é acusada de ocultar mortes de pacientes de covid e de prescrever o chamado “kit covid” sem o consentimento dos pacientes.

Ao final da reunião da comissão parlamentar de inquérito, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, disse que o depoimento de Bruna Morato foi o mais impactante que ouviu e solicitou à Polícia Federal proteção para a advogada — durante o depoimento, ela relatou que já teve o escritório invadido.

Na audiência, senadores criticaram a falta de atitude do Conselho Federal de Medicina (CFM) e dos conselhos regionais de medicina diante das acusações contra a operadora.

“Qual é a teoria que eu tenho na minha cabeça agora? O governo federal, o gabinete paralelo, o Conselho Federal de Medicina e a Prevent Senior atuaram em conjunto para permitir que essa situação acontecesse”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

A CPI aprovou requerimento que pede à Procuradoria da República em São Paulo e no Distrito Federal e também à Polícia Federal que investiguem possíveis omissões por parte do CFM, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Denúncias

De acordo com Bruna Morato, as primeiras denúncias envolvendo a Prevent começaram logo no início da pandemia, em março de 2020. À época, ela atendia diretores clínicos da operadora.

Segundo a advogada, médicos relataram que, naquele momento, o plano de saúde não disponibilizava equipamentos de proteção individual (EPIs) para não “desesperar” e não preocupar os pacientes.

Ela relatou ainda a morte de um enfermeiro que tratava doentes com covid e que não podia usar os equipamentos.

Na sequência, já no fim de março, Bruna Morato contou, foi iniciada a adoção de um “protocolo de manejo” para o tratamento – o chamado “kit covid”, formado por oito medicamentos, entre os quais hidroxicloroquina e ivermectina, remédios de ineficácia comprovada no tratamento da covid.

Para dar efetividade à adoção do kit, a Prevent Senior, segundo a advogada, procurou médicos do chamado “gabinete paralelo”.

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