Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de setembro de 2017
Uma rede será formada entre o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o Hospital Conceição e a Secretaria de Saúde de Porto Alegre para capacitação de creches municipais para o recebimento de leite materno. Este foi um dos encaminhamentos da mesa redonda promovida pela deputada Manuela d´Ávila (PCdoB) na Assembleia Legislativa em razão das atividades do Agosto Dourado, mês dedicado à promoção da amamentação.
A rede formada no evento também contribuirá no credenciamento de estabelecimentos “amigos da amamentação”. O projeto, concede um selo a empreendimentos que se reconhecem incentivadores da amamentação. São cafés, restaurantes e outros estabelecimentos onde as mães são bem vindas para amamentar – lembrando que a amamentação, por lei, pode ser feita em qualquer lugar público.
A mesa redonda levantou ainda questões como o impacto positivo do leite materno para o desenvolvimento da criança e a repercussão em sua vida adulta. O debate, mediado pela deputada, que é procuradora da mulher na Assembleia Legislativa, contou com a participação do Pós-Doutorando em Epidemiologia, Christian Loret de Mola; da Nefrologista Pediátrica, Noemia Goldraich; e da mestre e doutoranda em Direito do Consumidor pela UFRGS, Lúcia Souza d’Aquino.
Leite materno, a melhor proteção
Segundo Christian Loret de Mola, além de fonte de nutrientes, o leite materno é um medicamento personalizado, rico em células imunológicas e células-tronco. Isso explica porque a amamentação reduz em 54% os casos de diarreia em 32% os casos de infecções respiratórias em crianças até cinco anos.
Além disso, as crianças que mamam no peito ficam mais protegidas contra otite, má oclusão dentária, obesidade e diabetes tipo II. Isso sem falar que o tempo de amamentação está associado à performance dos adultos em testes de inteligência.
Conforme o pesquisador, 12 meses de amamentação contínua significam um acréscimo, em média, de 3,4 pontos no escore de testes do quociente de inteligência. Os benefícios não se restringem ao bebê, mas atingem as mães. De acordo com estudos citados por Mola, a amamentação reduz em 6% os riscos de câncer de mama invasivo e diminui também as chances de ocorrência de câncer nos ovários.
A nefrologista pediátrica Noêmia Goldraich, depois de ser surpreendida com o número de crianças com pressão alta atendidas no ambulatório do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, propôs a realização de uma pesquisa na rede municipal de ensino de Porto Alegre para verificar as condições de saúde dos alunos. O estudo, que envolveu 18 escolas municipais e verificou o peso, a altura e a circunferência abdominal de crianças de dois a seis anos, constatou que 40% delas apresentam risco, tem sobrepeso ou estão obesas e que 12% apresentam quadro de pressão alta em decorrência da obesidade e do consumo excessivo de sal.
As causas, conforme a nefrologista, estão relacionadas ao ambiente obesogênico e hipertensogênico que prevalece na sociedade “Antes, a obesidade era uma doença individual que acometia pessoas mais velhas. Agora, é um distúrbio do estilo de vida, que atinge pessoas cada vez mais jovens. Portanto, exige políticas públicas de enfrentamento E aqui reside o conflito de interesses, pois o mercado produz e deseja a doença”, apontou.