Terça-feira, 11 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 22 de dezembro de 2017
O estoque total de crédito no Brasil cresceu pelo segundo mês consecutivo em novembro, com alta de 0,4 por cento sobre outubro, a 3,064 trilhões de reais, num período mais forte para o varejo por conta da Black Friday. Nos 11 meses do ano, contudo, o estoque recuou 1,4 por cento, divulgou o BC (Banco Central) nesta sexta-feira (22). Em 12 meses, a contração é de 1,3 por cento.
Os números refletem a persistente fraqueza na tomada de empréstimos no País, puxada sobretudo pela debilidade no segmento de pessoas jurídicas, apesar da gradual retomada da atividade econômica. Em novembro, houve recuo de 0,2 por cento no estoque de crédito das empresas sobre o mês anterior. Por sua vez, as famílias registraram aumento de 0,8 por cento na mesma base de comparação.
A incipiente reação no mercado de crédito ocorre a despeito das sucessivas quedas na taxa básica de juros. Até novembro, a Selic estava em 7,5 por cento ao ano, tendo sido reduzida para a mínima histórica de 7 por cento em dezembro.
Reagindo ao ciclo, os juros médios no segmento de recursos livres, em que as taxas são livremente definidas pelas instituições financeiras, caíram a 42,7 por cento ao ano em novembro, contra 43,6 por cento em outubro.
O spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada pelos bancos ao consumidor final, também caiu a 34,2 pontos percentuais no segmento de recursos livres, sobre 35,2 pontos no mês anterior.
Isso ocorreu num mês em que a inadimplência diminuiu a 5,3 por cento no mesmo segmento, igualando o nível alcançado pela última vez em dezembro de 2015. Em outubro, o patamar foi de 5,4 por cento.
Depósitos compulsórios
O BC reduziu alíquotas de depósitos compulsórios à vista e a prazo que bancos devem manter na instituição, com efeito líquido equivalente à liberação de R$ 6,5 bilhões em crédito.
A medida entra em vigor no dia 26 de dezembro e passará a ter pleno efeito a partir de 2 de janeiro, segundo informou o BC em comunicado. A alíquota de recolhimento sobre recursos à vista caiu para 40%, ante 45%, enquanto a alíquota sobre recursos a prazo foi reduzida a 34%, ante 36%.
Setor Externo
O BC também divulgou os dados sobre o Setor Externo. As transações correntes apresentaram deficit de US$2,4 bilhões em novembro, acumulando, em doze meses, deficit de US$11,3 bilhões, equivalentes a 0,56% do PIB. Na conta financeira, o ingresso líquido de investimentos diretos no País somou US$5,0 bilhões em novembro, totalizando US$80,3 bilhões nos últimos doze meses, ou 3,96% do PIB.
A conta de serviços registrou deficit de US$3,1 bilhões em novembro, 33,0% maior em relação ao mesmo mês do ano anterior. A despesa líquida com viagens internacionais totalizou US$1,1 bilhão, 51,8% superior à registrada em novembro de 2016, resultado do crescimento dos gastos de residentes no Brasil em viagens ao exterior, 32,5%, e aumento de 2,6% das receitas auferidas em viagens ao País. A conta de aluguel de equipamentos apresentou deficit de US$1,5 bilhão em novembro, 6,0% maior comparativamente ao mesmo mês do ano anterior.
A despesa líquida na conta de renda primária atingiu US$2,6 bilhões no mês, diminuição de 16,6% comparativamente a novembro de 2016. A despesa líquida com juros alcançou US$1,1 bilhão, 21,1% abaixo do ocorrido em período correspondente do ano anterior. A despesa líquida de lucros e dividendos totalizou US$1,6 bilhão no mês, 12,4% menor quando comparada à observada em novembro de 2016.
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