Terça-feira, 12 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de novembro de 2015
A promessa é de tirar seu nome do cadastro de inadimplentes com um clique, sem burocracia alguma, por apenas 50 reais. O golpe, que cresce na internet e garante o anonimato dos estelionatários, multiplica-se na mesma proporção em que aumenta o total de endividados no País. Tanto que a Serasa Experian registrou um crescimento de 61%, em um ano, no número de tentativas de fraudes para retirar os nomes de brasileiros das listas de restrições ao crédito. Em setembro de 2015, segundo a Serasa, foram identificados 35 tipos de e-mails diferentes usando o nome da empresa. No mesmo período, no ano passado, haviam sido catalogadas 21 mensagens do gênero.
O objetivo dos hackers é instalar um vírus no computador ou roubar os dados pessoais do consumidor para obter novos empréstimos, fazer dívidas por meio de cartões de crédito e acessar contas-correntes, mediante o roubo de senhas. “Os fraudadores identificam uma oportunidade de lucro, acessando dados sigilosos de consumidores e espalhando vírus na rede. A questão econômica do País também influencia. Na medida em que aumenta o número de inadimplentes e de credores tentando renegociar dívidas, esses e-mails se multiplicam. Mas o verdadeiro serviço ‘Limpa Nome’ é gratuito”, explicou Raphael Salmi, gerente de Recuperação de Crédito da Serasa Experian.
O SPC Brasil e a Serasa criaram setores especializados em monitoramento e combate a fraudes. No SPC Brasil, há sistemas que detectam sites que cobram pelo serviço de retirada do cadastro de devedores. “Nossos técnicos tentam entrar em contato com os golpistas. Eles já chegaram a pagar a cobrança de 50 reais e ficaram esperando para ver o que seria feito. Se o nome for baixado no site, conseguimos rastrear de quem é o IP e fazemos um registro na delegacia policial. Além disso, investigamos se houve conivência ou corrupção de algum funcionário”, observou Flávio Borges, gerente financeiro do SPC Brasil. “Esse procedimento não é honesto de forma alguma. Para limpar um nome, é preciso pagar a dívida ou renegociá-la com o credor”, sustenta.
Armadilhas sofisticadas.
A consultoria Raytheon Websense desenvolveu um sistema gratuito que identifica e organiza sites maliciosos em categorias, revelando links e códigos que possam infectar o computador. A ferramenta batizada de CSI (csi.websense.com) foi inspirada no seriado americano de investigação policial.
“Os hackers mandam mensagens com iscas para pescar os internautas. Quanto mais personalizadas, maior a facilidade de os usuários caírem nas armadilhas. Estão cada vez mais sofisticados. Dificilmente o próprio e-mail é a ameaça mais grave. É só um chamariz com uma oferta tentadora. O mundo virtual está tão perigoso quanto o real”, adverte Wellington Lobo, gerente de canais Brasil da Raytheon Websense.
Super Feirão Limpa Nome.
Para auxiliar na renegociação de dívidas – já que 40% dos brasileiros acima de 18 anos têm débitos em atraso, segundo a Serasa –, a empresa promoverá o Super Feirão Limpa Nome, de 3 a 14 de novembro. Para participar, basta acessar www.serasaconsumidor.com.br/superfeirao e preencher um cadastro. O consumidor será levado a uma página onde estarão listadas todas as empresas com as quais ele possui alguma dívida pendente e que consta na base de dados da Serasa.
Ao escolher e clicar no nome da companhia surgirá uma página apresentando as dívidas em aberto e os canais de atendimento disponíveis (telefones, e-mail, chat). A partir daí, o consumidor pode entrar em contato diretamente com a empresa para negociar possíveis descontos e condições de pagamento diferenciadas. De acordo com o SPC Brasil, o total de inadimplentes no País, de 18 a 94 anos, já chega a 57 milhões de pessoas. (AG)
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