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Brasil Crise hídrica: outubro e novembro serão críticos, mas Operador Nacional do Sistema descarta racionamento este ano

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País vive a maior crise hídrica dos últimos 91 anos. (Foto: Divulgação/Cemig)

A crise hídrica, a maior dos últimos 91 anos, agrava as incertezas em relação ao próximo ano. O Brasil vive um período de inflação alta, a economia ainda esboça reação após os estragos causados pela pandemia e a eleição presidencial em 2022 coloca em xeque a tomada de decisões mais técnicas pelo governo, principalmente em relação à situação fiscal. É um cenário que economistas e meteorologistas classificariam como “a tempestade perfeita”.

As ações para atenuar a crise hídrica, reduzir a demanda e ampliar a oferta de energia foram o tema da edição do debate “E agora, Brasil?”.

O debate contou com a participação de Christiano Vieira, secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU) e Solange Srour, economista-chefe do Credit Suisse Brasil.

Segundo Ciocchi, do ONS, outubro e novembro serão cruciais. É o período em que os reservatórios das hidrelétricas estarão em seu pior nível e a demanda por energia começa a aumentar no País.

“Em outubro e novembro essa possibilidade de ter picos de demanda existe. Para isso a gente faz monitoramento diário. É o período mais crítico. A carga aumenta, os reservatórios estão mais baixos e a gente tem termelétricas que são mais caras”, afirmou.

De acordo com Ciocchi, mesmo que a um custo mais alto em razão das termelétricas, o País tem condição de atender a demanda com segurança nesse período.

Se as chuvas voltarem a partir do início do período úmido, em novembro, será possível reduzir o uso de termelétricas mais caras, religadas em regime de emergência para evitar a falta de energia, o que significaria um alívio no bolso da população, diante do aumento da conta de luz este ano e da adoção da bandeira tarifária de Escassez Hídrica, de R$ 14,20 a cada cem quilowatts-hora consumidos.

A chuva também poderia reduzir as incertezas das empresas, que aguardam a definição de um cenário mais claro em relação ao próximo ano para programar seus investimentos.

Leilão em outubro

O governo garante que todas as iniciativas foram adotadas com a antecedência necessária para suprir a demanda. Segundo Vieira, do MME, além de religar termelétricas e adiantar o funcionamento de usinas de outras fontes, como solar e eólica, o governo anunciou a importação de eletricidade de países como Argentina e Uruguai e fará um leilão simplificado emergencial em outubro para contratação de energia para 2022.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) tem feito reuniões semanais para acompanhar a situação.

“Adotamos medidas para ampliar geração, transmissão, flexibilizar restrições que permitissem atendimento com confiabilidade e segurança ao longo de 2021 e também em 2022. As medidas que foram e estão sendo tomadas garantem atendimento de energia e de potência. Temos condição de passar por esse momento com segurança com a participação de todos”, disse Vieira.

Sem espaço para gasto

Na visão de especialistas, para que cenários como o atual fossem evitados, o governo deveria ter investido em planejamento de longo prazo. Não é de hoje que as mudanças climáticas entraram na pauta dos governantes, e ações concretas precisam ser colocadas em prática para mitigar riscos.

Para Artaxo, do Instituto de Física da USP e membro do IPCC, o País continua a errar quando se trata do setor energético e não aproveita o gigantesco potencial de geração eólica e solar.

“Infelizmente os nossos governos não costumam escutar a ciência. Com certeza os prejuízos para a nossa sociedade teriam sido menores se um planejamento de longo prazo tivesse sido adotado. A sociedade precisa de respostas do governo para daqui a cinco, dez ou 50 anos e, infelizmente, isso não ocorreu”, afirmou.

Do ponto de vista da economia, a crise hídrica multiplica incertezas para 2022. Ela acontece em um momento de aumento de preços de commodities no exterior, como soja, milho e ferro, produtos que o Brasil exporta em larga escala, mas que usam intensivamente a energia. E o País corre o risco de perder este momento, diz a economista-chefe do Credit Suisse Brasil, Solange Srour.

O presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, diz que a escassez hídrica coincide com a expectativa de retomada da economia:

“É natural que isso gere alguns alertas. Daí a importância de ouvir aqueles que estão diretamente envolvidos nesse processo. O debate foi muito positivo para conhecermos melhor as ações que estão sendo realizadas. O desempenho do setor produtivo e da economia vai depender muito do sucesso na gestão desse risco da nossa matriz energética.”

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