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Mundo Dados de mais de 770 mil cartões de crédito vazaram na internet neste ano

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O extravio e uso malicioso de cartões de crédito respondem por 58,74% de todos os eventos registrados. (Foto: EBC)

Segundo dados coletados pela Apura, empresa brasileira que atua no ramo de threat intelligence (fornecimento de inteligência de ameaças cibernéticas), é crescente o número de fraudes financeiras registradas ao longo do Brasil e do mundo. A companhia afirma que, desde janeiro de 2020, mais de 770 mil cartões de crédito válidos teriam sido livremente compartilhados entre criminosos cibernéticos, podendo ser utilizados para fins malignos.

As estatísticas partem da BTT, solução da Apura que utiliza robôs para vasculhar a web, identificar riscos cibernéticos e organizá-los na forma de relatórios compreensíveis que podem ser utilizados por times de segurança para ajustar sua estratégia de proteção corporativa. Atualmente, a plataforma conta com mais de 300 milhões de eventos registrados, sendo adicionados, em média, 5 milhões de novos registros por dia.

Dentro do segmento de fraudes financeiras, o extravio e uso malicioso de cartões de crédito respondem por 58,74% de todos os eventos registrados. Em seguida, temos máquinas de cartão adulteradas (19,29%), cédulas falsas (8,18%), venda de kits para phishing (6,79%), conta laranja (2,85%), boletos falsos (2,82%), URA (0,84%) e fraudes envolvendo agentes internos (0,48%). São números perigosos sobretudo nas vésperas da Black Friday.

Quando levamos em conta o ranking geral de ameaças, os malwares continuam levando a medalha de ouro, representando 54% do total; logo após, as campanhas de phishing com 41% do montante. Assusta também a quantia de credenciais vazadas e domínios fraudulentos registrados por criminosos — foram mais de 26 milhões de logins comprometidos e 115 milhões de URLs fraudulentas.

Segundo Maurício Paranhos, diretor da Apura, o objetivo da plataforma é “dar aos clientes a visão mais ampla possível do bioma cibercriminoso no Brasil e no mundo, de forma a municiá-los com o máximo de informações, permitindo que tomem decisões com base em informações reais e se prepararem para lidar com as mais diversas ameaças, tais como golpes, fraudes, incidentes, vulnerabilidades, vazamentos e ataques cibernéticos”.

Inadimplência

A inadimplência no cartão de crédito voltou aos patamares anteriores aos da pandemia, segundo dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). Em julho, o índice foi de 7,4%. Em agosto, 6,8% e em setembro 6,3%. Não há, no entanto, uma garantia de que ela continue baixa.

Segundo Pedro Coutinho, presidente da Abecs, esse nível baixo de inadimplência pode ser justificado pelos gastos menores das pessoas durante a pandemia.

“As pessoas não viajaram para o exterior, não fizeram turismo interno, não foram ao restaurante com a família. Tem uma redução dos gastos que influencia a ter uma inadimplência menor. Sobrou dinheiro para as pessoas pagarem seu cartão no vencimento. Está em um nível muito bom, as pessoas estão pagando dentro do vencimento e não estão postergando ou refinanciando”, afirma.

Por outro lado, porém, Coutinho destaca que não se sabe qual é a importância do auxílio emergencial nessa inadimplência baixa. “Não sabemos ao certo, mas seguramente tem um percentual importante”, afirma.

Por isso, o executivo destaca que é importante esperar os próximos trimestres e o comportamento da economia para saber se a inadimplência continuará em níveis saudáveis.

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