Segunda-feira, 30 de Março de 2020

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Brasil Das páginas esportivas para as policiais: as 7 principais investigações sobre a Olimpíada do Rio de Janeiro

Nuzman foi preso no Rio de Janeiro. (Foto: EPA)

Deflagrada nesta terça-feira (5), a Operação Unfair-play, da Polícia Federal, teve como alvo o presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, e empresários ligados ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, acusados de orquestrar uma compra de votos para garantir a cidade brasileira como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

É mais uma das investigações sobre a Olimpíada, realizada um ano atrás. Muitas das obras esportivas e de infraestrutura estão sob suspeita de superfaturamento ou envolvem pagamento de propina para os políticos envolvidos.

Veja aqui as principais apurações:

1. Rio: compra de votos para ser escolhido como sede

Uma investigação do Ministério Público da França divulgada pelo jornal Le Monde revelou que um empresário brasileiro teria pago propina ao filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo para comprar seu voto.

Os franceses pediram a colaboração do Brasil na investigação, e os desdobramentos dela por aqui, nesta terça-feira, aconteceram após colaboração do ex-atleta Eric Maleson, ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo.

Carlos Arthur Nuzman acordou com a Polícia Federal na porta de sua casa, em um bairro nobre do Rio. Os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na casa dele e encontraram R$ 480 mil em espécie (entre dólares, libras, reais e euros). O presidente do COB foi levado para depor e teve seu passaporte russo – que ele adquiriu recentemente – confiscado.

Foram alvos de mandados de prisão preventiva: Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como “rei Arthur”, e sua sócia Eliane Pereira Cavalcante.

Na eleição, ocorrida em 2009, o Rio venceu a disputa com Madri, Tóquio e Chicago – a última rodada, contra a cidade espanhola, foi liquidada por 66 a 32.

O pagamento teria sido feito no dia 29 de setembro de 2009, dois dias antes da votação. Rei Arthur teria utilizado uma conta da sua offshore Matlock Capital Group para depositar a maior parte do valor (R$ 1,5 milhão) – a empresa foi a mesma utilizada para pagar propinas de mais de R$ 10 milhões a Cabral, ainda de acordo com as apurações.

Outra parte teria sido transferida da conta do próprio empresário. O Ministério Público Federal diz ter provas dos pagamentos.

Papa e seu pai, Lamine Diack, estão banidos do esporte por acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

O papel de Nuzman no esquema, segundo a Procuradoria, era de um “intermediador” que colocava “corruptos e corruptores” em contato.

2. Propina em obras do Maracanã

O ex-governador Sérgio Cabral foi preso em novembro do ano passado acusado de cobrar propina em obras sob sua tutela. Segundo as investigações, ele cobrava uma “contribuição” de 5% do valor total dos contratos para obras – uma delas teria sido a da renovação do Maracanã para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

A obra foi orçada em R$ 720 milhões, mas custou pelo menos R$ 1,2 bilhão.

3. Superfaturamento da linha 4 do metrô

A linha 4 do metrô do Rio, que liga a zona sul à zona oeste da cidade, era um dos legados mais esperados pela população. E também está sendo investigada por suposto suborno.

Além disso, o Ministério Público do Rio de Janeiro também acusa o governo de irregularidades no contrato da obra e superfaturamento. Os desvios chegariam a R$ 3 bilhões – a obra custou R$ 10 bilhões.

Na época, as construtoras e a Linha 4 afirmaram que só se manifestariam sobre o caso em juízo.

4. Superfaturamento no Complexo de Deodoro

Segundo maior local de competições, o Complexo de Deodoro passou a ser investigado antes mesmo do início da Olimpíada. A operação Bota-Fora, da Polícia Federal, encontrou irregularidades na prestação de serviço para transporte e descarte do entulho do complexo. O gasto previsto inicialmente era de R$ 80 milhões, mas chegou a R$ 128,5 milhões.

5. Propina no BRT Transcarioca e na drenagem de córrego

O custo do BRT foi de R$ 540 milhões, e a cobrança da propina, segundo as investigações, seria de 1% desse valor.
Alexandre Pinto da Silva, secretário municipal de Obras na gestão Eduardo Paes (PMDB), foi preso no início de agosto em decorrência dessa operação.

6. Irregularidades em campo de golfe

A construtora responsável (Fiori Empreendimentos) não teria pago a Taxa de Obras em Áreas Particulares – valor que chegaria a R$ 1,8 milhão e que precisaria ser colhido pelo município por causa da remoção de vegetação local necessária para a construção do campo.

7. Porto Maravilha

Foi revelado, em delação da empreiteira Carioca Engenharia,  pagamento de propina envolvendo as obras do Porto Maravilha, realizadas como um legado da Olimpíada do Rio.

Conforme o depoimento do empresário Ricardo Pernambuco (dono da Carioca Engenharia), cerca de R$ 13 milhões foram pagos em propina ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara.

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