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Mundo De exemplo no combate à pandemia a acusado de assédio sexual: o ocaso do governador de Nova York

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Cuomo tenta sobreviver politicamente enquanto rivais veem sua derrocada como iminente. (Foto: Reprodução)

As últimas semanas marcaram uma revolução negativa para o governador de Nova York (EUA), Andrew Cuomo, um dos principais nomes do Partido Democrata. De exemplo no combate à pandemia e algoz do ex-presidente Donald Trump, Cuomo se viu diante de acusações de maquiar os números de mortos pela covid-19 e, mais recentemente, de relatos de assédio sexual, em escândalos que ameaçam sua carreira política.

No mais recente deles, publicado pelo jornal The New York Times na segunda-feira (1º), Anna Ruch disse que Cuomo colocou as mãos sobre sua lombar e, depois, nas suas bochechas e pediu se poderia beijá-la em uma festa de casamento. Ao contrário das duas denúncias anteriores, feitas por ex-funcionárias, Ruch disse que não conhecia o governador quando o alegado assédio ocorreu.

Andrew Cuomo é integrante da elite política de Nova York. Seu pai, Mario, foi governador por uma década (1983-1994), e Andrew ocupou cargos de destaque nas administrações estadual e federal desde os anos 1980 — em 2010, finalmente chegou ao comando do Estado, se reelegendo em duas ocasiões.

Ele ficou conhecido por políticas progressistas, como a que abriu caminho para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2011, a liberação da maconha para uso medicinal, em 2014, e sua liderança na aplicação dos compromissos previstos no Acordo de Paris para o Clima, mesmo durante o governo Trump.

Emmy e asilos

Mas nenhuma delas lhe rendeu os elogios que recebeu pelas ações de controle da pandemia em Nova York, que chegou a ser um dos principais focos de disseminação do coronavírus não apenas nos EUA, mas no mundo. Suas coletivas diárias foram marcadas por explicações diretas, por vezes duras, e pelo confronto com a Casa Branca, ainda sob Trump — quando o presidente ameaçou cortar as verbas do Estado por causa das desavenças, Cuomo o chamou de “valentão”.

As coletivas fizeram tanto sucesso que o governador recebeu um prêmio Emmy, um dos mais importantes da indústria do entretenimento. Ao justificar a escolha, a primeira envolvendo um político ainda no cargo, o presidente da Academia Internacional de Artes e Ciências da Televisão afirmou que “as pessoas ao redor do mundo acompanhavam ali o que acontecia, e a firmeza de Nova York se tornou um símbolo de determinação”.

Nova York, de fato, reduziu seus números e deixou de ser o símbolo da expansão da pandemia nos EUA, onde a covid-19 matou mais de meio milhão de pessoas e infectou 28 milhões. No entanto, uma série de denúncias vem minando a imagem de Cuomo, com potenciais problemas jurídicos.

No fim de janeiro, um relatório da procuradora-geral de Nova York apontou que houve uma ampla subnotificação de mortes de idosos em casas de repouso, locais de alta mortalidade na pandemia. Segundo as regras estaduais, um óbito só era relacionado ao asilo caso ele tivesse ocorrido no próprio local — pacientes que ali se infectaram e posteriormente morreram eram contabilizados como mortes em hospitais.

Meses antes, a Associated Press havia revelado que muitos dos pacientes que estavam se recuperando da covid-19 foram autorizados a retornar para as casas de repouso ainda com sintomas — à época, o governo se defendeu dizendo apenas seguir as regras federais.

O caso levou a uma onda de críticas: os democratas defenderam uma investigação ampla. Já os republicanos apelaram a uma palavra que frequentou o noticiário político nos anos Trump: impeachment, o que ocorreu apenas uma vez na História do estado, em 1913.

A já complicada situação política se agravou com o relato de ex-funcionárias o acusando de assédio sexual. Segundo Lindsey Boylan, que atuou como assessora econômica do governo de Nova York, ele chegou a beijá-la sem seu consentimento, além de convidá-la para jogar “strip poker” — modalidade na qual os perdedores são obrigados a tirar uma peça de roupa a cada rodada.

Na semana passada, uma segunda denúncia partiu de Charlotte Bennett, que atuou como conselheira na área de saúde até novembro do ano passado. Em relato ao The New York Times, afirmou que o governador lhe fez uma série de perguntas de teor sexual, vistas por ela como insinuações sobre um possível relacionamento entre os dois.

“Entendi que o governador queria dormir comigo, me senti terrivelmente desconfortável e assustada”, declarou Bennett. “Fiquei me perguntando como eu sairia daquela situação e assumi que era o fim do meu trabalho.”

No domingo (28), Cuomo, que vinha tentando se esquivar das denúncias, disse que alguns de seus comentários no ambiente de trabalho “podem ter soado insensíveis ou muito pessoais”, pedindo perdão a quem possa tê-los interpretado como “um flerte indesejado”. Ao mesmo tempo, rejeitou as acusações de que teria tocado e beijado qualquer uma de suas subordinadas de forma inadequada.

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