Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de dezembro de 2015
No mesmo depoimento em que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi mencionado por suposto recebimento de 300 mil reais a mando do doleiro Alberto Youssef – o tucano nega as acusações –, o delator da Operação Lava-Jato Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, citou supostos valores repassados ao senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
O depoimento, homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), foi dado em julho. Nele, Rocha disse que fazia para Youssef serviço de entrega de dinheiro para políticos. De acordo com Rocha, entre janeiro e fevereiro de 2014, Youssef informou que teria de levar 1 milhão de reais de Recife (PE) a Maceió (AL). O delator disse que entregou o dinheiro, em duas partes de 500 mil reais, para “um homem elegante” em um hotel na capital alagoana. Rocha disse ter questionado Youssef sobre o destinatário do dinheiro, e o doleiro teria respondido: “O dinheiro é para Renan Calheiros”.
O delator também informou que, entre 2009 e 2014, ouviu Alberto Youssef dizer que iria disponibilizar 2 milhões de reais para Renan Calheiros a fim de evitar a instalação de uma CPI para investigar a Petrobras. Ele não informou, no entanto, se o repasse de fato ocorreu. A assessoria de imprensa de Renan negou as acusações.
Em relação ao senador Randolfe Rodrigues, Rocha disse que Youssef afirmou: “Para esse aí já foram pagos 200 mil reais”. Rocha disse ter questionado o doleiro se ele tinha certeza disso, e Yousseff teria respondido ter certeza “absoluta”.
“Isso é totalmente sem noção. É hilário, incabível. Primeiro, eu não sei nem quem é o senhor Carlos Alexandre Rocha. Nunca tive contato com quem quer que seja. Minha campanha em 2010 foi feita com base em doações individuais, de pessoas físicas. O orçamento total da minha campanha em 2010 foi de 210 mil reais”, declarou Randolfe.
Propina no PP
Ao tratar do pagamento de propina a deputados do PP, Rocha afirmou que Yousseff usava a expressão “mensalão do PP” e dizia que os valores eram repassados para manter o partido na base do governo. No depoimento, ele cita pagamentos ao deputado Nelson Meurer (PP-PR) e ao ex-ministro Mário Negromonte.
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