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Brasil Depois da tentativa frustrada de emplacar Fernando Haddad no comando nacional do PT, uma ala do partido atuou para tentar encurtar o mandato de Gleisi Hofmann

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Haddad e Gleisi acumulam uma série de desentendimentos desde a eleição presidencial do ano passado. (Foto: Agência Senado)

Depois da tentativa frustrada de emplacar o ex-presidenciável Fernando Haddad no comando nacional do PT, uma ala do partido atuou para tentar encurtar o mandato de Gleisi Hofmann. Em meio às visitas que recebeu na prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve de interceder e barrou o movimento para mudar regras e diminuir o prazo de Gleisi à frente da legenda.

“Esse assunto [encurtamento do mandato da Gleisi] é um assunto que morreu no mesmo momento que surgiu”, respondeu Lula por intermédio de um interlocutor. O assunto vinha sendo discutido nos bastidores desde o primeiro semestre. No mês passado, o tema chegou a Lula depois que o deputado federal Rui Falcão (SP), que já comandou o partido, escreveu um bilhete a um assessor do ex-presidente.

Ainda que Lula dê o assunto como pacificado, o tema é considerado delicado nas fileiras internas do partido. Uma eventual mudança faria com que a atual presidente ficasse de fora do comando do PT durante a disputa eleitoral de 2022, o que é visto como alento por seus críticos internos.

A decisão evitaria problemas para Haddad, hoje tido como principal nome para concorrer na disputa. O ex-ministro e a deputada federal pelo Paraná Gleisi acumulam uma série de desentendimentos desde a eleição presidencial do ano passado. Já chegaram até a expor publicamente divergência no início do ano, quando Gleisi decidiu ir à posse do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para um novo mandato.

Os adversários de Gleisi dentro do PT a acusam, entre outros motivos, de jogar o partido em um caminho mais radical, sendo que o momento exigiria justamente ampliar a penetração na sociedade, diante do antipetismo estimulado pelo presidente Jair Bolsonaro. A parlamentar teria montado um grupo restrito de poder, sem dar voz aos nomes mais experientes, com exceção, é claro, do ex-presidente Lula.

A eleição do novo presidente do PT acontecerá no próximo mês, por meio do voto indireto em um congresso que acontecerá em São Paulo. Os delegados já foram escolhidos pelo voto dos militantes.

Além da insatisfação com a presidente, há no PT um forte descontentamento interno com suspeitas de fraudes no processo eleitoral, realizado no começo do mês. As queixas também já chegaram a Lula. Foram feitas denúncias, principalmente em Minas Gerais, de filiações em massa às vésperas do pleito para manipular o resultado. Em São Paulo, houve constatação de “participação” de militantes já mortos.

Governadores isolados

O partido ainda enfrenta um problema em razão da desarticulação entre os seus governadores e a cúpula. A avaliação é que os chefes de executivos estaduais não possuem um canal para serem ouvidos dentro do PT.

Como resultado desse quadro, Rui Costa, governador da Bahia – à frente do maior estado sob comando petista –, foi repreendido por uma nota da executiva nacional do PT após conceder uma entrevista para a revista “Veja”, no mês passado. Na entrevista, ele criticou a legenda por não ter apoiado o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na eleição presidencial do ano passado e por não apresentar propostas para se contrapor ao governo de Bolsonaro, ficando apenas na “negativa”.

Costa também manifestou intenção de se candidatar a presidente em 2022. Na nota, o partido diz que foi absolutamente correta a decisão de lançar candidato em 2018 e acrescenta que o debate sobre candidaturas neste momento é “extemporâneo”.

Em uma entrevista dada na prisão, Lula também rebateu o governador da Bahia e afirmou que ele não era o seu primeiro nome para disputar o governo local. Acrescentou que Costa “hoje faz um bom governo, mas de vez em quando tropeça”.

 

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