Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 31 de agosto de 2017
Depois de semanas de discussões na Câmara, os deputados passaram a considerar praticamente impossível votar mudanças nas regras eleitorais já para o ano que vem.
Mais uma vez, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como presidente da República em exercício, fez de tudo em busca de um acordo. Ele chamou ao Planalto os líderes dos partidos. Todos saíram certos de que a proposta que cria o “distritão” e o fundo público para financiar campanhas está praticamente sepultada.
A 38 dias do fim do prazo para mudar as regras eleitorais para as eleições de 2018, o desânimo tomou conta da Câmara. “A minha impressão é que tudo é organizado para não se fazer reforma política. Repara que criaram três comissões para fazer uma reforma política. Uma só já é uma dificuldade enorme para decidir. Duas parece impossível. Três é loucura. Criaram três. Então, acho que dificilmente sairá alguma coisa”, afirmou o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ).
Ao chegar à Câmara, o presidente interino, André Fufuca, ainda achava que poderia ter votação:“Vamos votar, né?”. Mas a reforma política nem entrou na pauta.
Fracassou, também, a tentativa de votar a proposta que passou no Senado e cria a cláusula de barreira, com exigência de desempenho mínimo nas urnas para os partidos receberem verba do fundo partidário, e proíbe a coligação de partidos para a eleição de deputado a partir de 2018. Votação agora, só na próxima terça-feira. O que para muitos é vista como a última cartada para aprovar alguma mudança nas regras eleitorais.
“Infelizmente, a agenda econômica ganhou prioridade e o diálogo a respeito da reforma política não amadureceu. E cada dia está mais parecido que a resposta será não fazer nada, não votar nada. É a pior demonstração que o Congresso Nacional pode dar à sociedade. É a inércia, é a omissão, é deixar, inclusive, uma lacuna e um vazio aberto para que os tribunais possam fazer aquilo que o Congresso Nacional preferiu não fazer”, disse o deputado Efraim Filho (DEM-PB), líder do partido.
Fufuca convoca três sessões
Apesar de todas as dificuldades que a aprovação da reforma política enfrenta, o presidente interino da Câmara, deputado André Fufuca (PP-MA), permanece firme na missão de levar a votação a cabo na semana que vem, enquanto ainda estará no comando da Casa. Diante da impossibilidade de a matéria ser votada nesta quarta-feira, como estava previsto, Fufuca resolveu marcar três sessões para a próxima semana, quando haverá o feriado da Independência do Brasil.
O jovem de 28 anos que assumiu o posto no lugar de Rodrigo Maia (DEM-RJ) — o qual, por sua vez, está como presidente da República no lugar de Michel Temer (em viagem à China) —, convocou os deputados para sessões para as próximas segunda-feira (04/9), terça-feira (05/9) e quarta-feira (06/9).
“Convocamos sessão para segunda, terça e quarta justamente para podermos colocar adiante essa questão. A sociedade está ansiosa, o Congresso tem que mostrar uma resposta e nós iremos tentar na próxima semana. O feriado é no dia 7, estão convocadas três sessões na segunda, na terça e na quarta. O Congresso não irá se furtar de apresentar e defender a reforma política. Acredito que ela será votada”, disse Fufuca na manhã desta quinta-feira.
Ontem, deputados e senadores vararam a madrugada para votar a nova meta fiscal, mas não concluíram a votação. Uma sessão do Congresso está marcada para terça-feira que vem às 19h para retomar o tema. A Câmara então terá de se desdobrar para votar a reforma política antes do feriado e em meio ao retorno da votação da meta fiscal. Não será fácil. A reforma política está longe de ser consenso entre os partidos. (AG)