Quinta-feira, 02 de Abril de 2020

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Notícias Deputados estaduais e representantes do setor agropecuário discutem a retirada da vacina contra a febre aftosa nos rebanhos gaúchos

Medida ainda é motivo de controvérsia no agronegócio. (Foto: Divulgação/GovPR)

Em audiência pública na manhã dessa quinta-feira, a Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul discutiu a possibilidade de retirada da vacina contra a febre aftosa nos rebanhos do Rio Grande do Sul. O tema foi proposto pelo deputado Rodrigo Lorenzoni (DEM), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária Gaúcha e ex-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária.

O encontro teve a presença de autoridades sanitárias, veterinários, fiscais agropecuários e produtores rurais. Enquanto representantes do Ministério da Agricultura, Secretaria Estadual da Agricultura e outros órgãos asseguram que o Estado vive um momento de grande expectativa com a evolução de status sanitário para zona livre febre aftosa sem vacinação, produtores rurais se mostraram cautelosos e inquietos com a suspensão da vacina.

“O debate técnico buscando a segurança na tomada de decisão sobre a retirada da vacina é o caminho a ser trilhado”, observou Lorenzoni após mais de três horas de debate. Para ele, a cautela é consenso entre autoridades sanitárias e entidades representativas do setor, apesar da necessidade de avanço do status sanitário gaúcho. Atualmente, o Rio Grande do Sul é reconhecido como zona livre de febre aftosa com vacinação.

O deputado informou que Legislativo vai esperar o resultado da inspeção que o Ministério da Agricultura fará no próximo semestre, para então propor uma nova rodada de discussão: “Precisamos superar ‘gargalos’ como a continuidade de recursos orçamentários para a defesa sanitária e, só então, com segurança, poderemos tomar uma decisão que é um importante passo na consolidação da cadeia produtiva da carne e na busca de novos e melhores mercados internacionais”.

Transição

Superintendente do Ministério no Rio Grande do Sul, o veterinário Bernardo Todeschini expôs um panorama com a evolução histórica do controle da doença na América Latina e o “Plano Estratégico para Erradicação da Febre Aftosa” no País. Ele descreveu os objetivos e a estrutura do Plano e explicou os critérios e o cronograma a serem adotados para retirada da vacinação, além dos riscos e implicações dessa decisão.

A representante da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Rosane Colares, apresentou um cronograma para transição de status sanitário. Ela detalhou as atividades oficiais de vacinação promovidas pelo órgão, frisando que a decisão de suspender a vacinação depende do trabalho técnico do Departamento de Defesa Agropecuária e do interesse e comprometimento dos setores produtivos com a sustentabilidade do programa.

Rosana ainda comparou a segurança do status sanitário atual com as vantagens da retirada da vacina em termos de credibilidade da cadeia produtiva. Ela também elencou projetos da Secretaria sobre o tema, que tratam desde a educação sanitária até a vigilância ativa e a defesa junto às áreas de fronteira do Rio Grande do Sul.

Já o presidente da Fundesa (Fundação de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal), Rogério Kerber, mencionou os investimentos feitos em informatização e em reformas de inspetorias veterinárias no estado. Kerber defendeu que a decisão seja tomada com segurança e levando em conta a opinião técnica.

Contraponto

A presidente do Conselho de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul, Lizandra Dornelles, disse não acreditar que este seja o melhor momento para interrupção da vacina: “As condições financeiras do governo gaúcho não dão garantia de investimentos no setor e o Estado está vulnerável para os riscos da doença através de javalis”.

Já o presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários, Antônio Augusto Medeiros, falou sobre a valorização dos profissionais ligados ao setor, com mais recursos para evolução do trabalho técnico de acompanhamento e segurança sanitária.

Ao menos três produtores rurais também se pronunciaram no evento. Rafael Peixoto, da Coopatrigo, relatou que na região fronteiriça entre Missões e a Argentina não há vigilância do trânsito de animais. Francisco Vital, de Alegrete, fez questionamentos sobre biossegurança.

A produtora rural Cristina Maurente, de Bagé, defendeu a manutenção da vacina e apontou os riscos e prejuízos dos produtores com uma possível retomada da enfermidade. Além disso ela afirmou que o Rio Grande do Sul não precisa procurar outros mercados internacionais, se consolidar e ampliar o as exportações para os atuais parceiros.

(Marcello Campos)

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