Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de maio de 2023
O desaparecimento de um menino de 2 anos em Santa Catarina pode revelar a “ponta do iceberg” de um esquema de tráfico de pessoas no País, afirmou a delegada Sandra Mara Pereira à CBN Floripa, na manhã desta terça-feira (9). A criança foi encontrada com um casal em São Paulo, que portava a certidão de nascimento e o cartão de vacinas do bebê, que havia ficado desaparecido por oito dias.
À polícia, a mulher afirmou que teria adotado o menino e que estava indo ao fórum para regularizar a situação. Os dois teriam dito, inclusive, que haviam agendado um horário no Ministério Público de São Paulo para oficializar a adoção.
A mulher de 41 anos e o homem de 52 anos foram presos, na segunda-feira (8), em flagrante por tráfico de pessoas na capital paulista. Roberta Porfírio e Marcelo Valverde foram flagrados com o menino Nicolas Areias Gaspar, que foi encontrado durante uma abordagem no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo.
Conforme a investigação, a mãe do menino teria sido “aliciada” desde o nascimento do filho para entregar a criança para adoção de um casal. Toda a conversa foi feita via internet e os dois suspeitos estiveram na Grande Florianópolis apenas para pegar o menino. Ele havia sido visto pela última vez com a mãe no dia 30 de abril.
“O menino é a ponta do iceberg. A nossa investigação uma das linhas era essa, uma quadrilha de tráfico de pessoas, da adoção ilegal, tanto que os documentos da criança foram entregues para o casal”, disse a delegada Sandra Mara, que preside o inquérito.
“Sabemos que no Sul do País acontecem esses desaparecimentos e acontecem essas redes de tráfico. Nossa intenção é descobrir se de fato mesmo é uma quadrilha, se o homem tem outras situações envolvendo ele nesses aliciamentos, nessas buscas de crianças, ou se isso é fato isolado”, completa.
A polícia busca entender, agora, se outras crianças foram vítimas do suposto esquema. O inquérito deve ser finalizado na próxima semana, segundo a delegada.
A mãe do menino, por sua vez, deu entrada em um hospital da região dias depois do desaparecimento e esteve internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até a segunda-feira (8), quando prestou depoimento à polícia.
“O homem já vinha assediando a mãe desde que ela estava grávida. Quando ela engravidou, entrou em grupos de mães solos, de quem quer adotar e não consegue engravidar, e ele começou a aliciá-la para entregar a criança para ele. Ele foi colocado como intermediador da adoção ilegal”, disse a delegada.
Em depoimento, conforme Mara, a mãe afirmou ter entregado a criança por “livre e espontânea vontade”. Ainda, segundo a polícia, a mulher é bastante jovem, já foi vítima de violência e tem uma saúde mental frágil. Apesar da entrega voluntária, o Código Penal descreve como crime o ato de registrar o filho de outra pessoa como próprio.
A Justiça manteve a prisão preventiva dos dois suspeitos. A audiência de custódia ocorreu nesta terça-feira (9), na cidade de São Paulo.
Troca de informações
Em entrevista coletiva nesta terça-feira, em Florianópolis, o Secretário de Segurança Pública de Santa Catarina, Paulo Cezar Ramos de Oliveira, disse que a união de esforços e a troca de informações entre as corporações dos dois Estados foram decisivas para a localização do menino, que está bem e em local seguro em São Paulo.
“A sensação nossa, do governo, do governador Jorginho Mello e da sociedade em geral é de grande alívio. Foi através do trabalho incansável, árduo das corporações policiais de Santa Catarina que conseguimos lograr êxito e termos essa criança hoje em local seguro na cidade de São Paulo”, destacou Oliveira.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil de SC, Ulisses Gabriel, desde que foi registrado o Boletim de Ocorrência, já foi instaurado inquérito policial e pedidas as medidas cautelares ao Poder Judiciário, que culminaram com a localização do menino, em São Paulo. Ulisses Gabriel explicou que o retorno do menino à Santa Catarina depende de uma decisão do Poder Judiciário de São Paulo, seguindo legislação do Estatuto da Criança e do Adolescente. A criança ficou sob os cuidados do Conselho Tutelar de São Paulo. As informações são do site NSC Total e da Secretaria de Segurança Pública de SC.
Os comentários estão desativados.