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Saúde Descubra o que é mito e o que é verdade sobre a maconha; Supremo discute a liberação do porte para consumo próprio

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STF decidiu que o porte de maconha para uso pessoal não é crime, mas isso não significa que o consumo foi legalizado. (Foto: Reprodução)

O Supremo Tribunal Federal (STF) já pode retomar o julgamento para decidir se o porte de maconha para consumo pessoal é crime. Terminou nessa segunda-feira (4) o prazo de vista (mais tempo para analisar o caso) pedido pelo ministro André Mendonça. Com isso, o julgamento, que começou em agosto, poderá continuar no plenário, mas ainda não há previsão de data para isso.

Por enquanto, o placar está em 5 a 1 para que o porte da droga não seja crime. Ainda faltam os votos de cinco magistrados. Os ministros também discutem a fixação de uma quantidade de maconha para diferenciar usuário de traficante.

Mas, afinal, a maconha vicia? Pode ser porta de entrada para drogas mais pesadas? Descubra abaixo o que é mito e o que é verdade sobre a maconha com base na explicação de médicos.

Mesmo ilegal em muitos países, a maconha é a droga mais usada no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Para especialistas, o uso da droga e a dependência devem ser encarados como assunto de saúde pública.

– Maconha pode queimar os neurônios? Mito: não há qualquer indício de que a maconha possa queimar neurônios, segundo o médico Claudio Lottenberg, presidente do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Ele lembra, porém, que a droga age no sistema nervoso central, e o uso recreativo pode, sim, causar danos cerebrais. “O uso indiscriminado e sem controle da maconha, evidentemente, traz uma série de riscos ao sistema nervoso central”, diz.

– Maconha pode viciar? Verdade: A maconha é uma droga e pode, sim, viciar. No entanto, os especialistas explicam que, entre as drogas, ela é a com menor potencial de risco para o vício.

“No vício, o metabolismo fica estimulado sistematicamente para que você tenha vontade de consumir aquilo do qual você está dependente. Essa não é a resposta do corpo humano à cannabis”, explica Lottenberg, acrescentando que há exceções, como fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

Ele afirma que o THC, substância presente na cannabis responsável pelos efeitos psicoativos e neurotóxicos, afeta o sistema que regula funções como humor, apetite e memória. (Entenda mais abaixo sobre o THC.)

O uso repetido da maconha pode levar à tolerância, exigindo doses maiores para alcançar os mesmos efeitos.

– Maconha é “porta de entrada” para outras drogas? Mito: A maconha é a droga ilegal mais usada por ser a mais barata. Então, quando uma pessoa passa a experimentar drogas, é provável que comece por ela. No entanto, não há qualquer indício de que a maconha cause no corpo alguma reação química que leve a pessoa a desejar ou necessitar de drogas mais fortes – até pelo seu menor potencial de vício.

O médico Luís Fernando Tófoli, professor do Departamento de Psiquiatria da Unicamp e pesquisador sobre políticas de drogas, alerta, porém, que é preciso, além do fator químico, observar as questões sociais do usuário.

“A porta de entrada para drogas é a biqueira [ponto de venda de drogas]. É o tráfico quem faz a gestão de que droga a pessoa experimenta. Desenvolver o vício não diz respeito apenas ao impacto que a droga tem no organismo, mas com as condições da pessoa. Precisamos desfocar da substância e olhar para a pessoa. Ela está em vulnerabilidade social? Tudo isso importa”, afirma.

A médica Carolina Nocetti explica que a maconha vem, inclusive, sendo usada em políticas de controle, como “porta de saída” para pessoas em tratamento de dependência química em drogas mais pesadas.

“Há recomendações de controle de danos que indicam o uso da maconha como alternativa a outras drogas em pessoas em tratamento de dependência química. Isso porque os efeitos colaterais e potencial de vício são menores”, afirma.

Droga ilícita mais usada no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a maconha é uma planta com mais de 100 fitocanabinoides (compostos químicos). O mais conhecido deles é o tetrahidrocanabinol, que é o THC, é ele quem tem o efeito psicoativo buscado por quem faz o uso recreativo da droga.

Os especialistas explicam que a droga reage de diferentes formas em cada organismo e que seu efeito pode ter duração de até 24 horas. As informações são do portal de notícias G1.

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