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Economia Diante das incertezas sobre mudanças na política econômica, veja os investimentos que os analistas recomendam

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Índices foram publicados nesta quarta-feira pela Secretaria da Fazenda. (Foto: EBC)

No dia 30 de outubro, o petista Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito com 50,9% dos votos e, a partir de 1.° de janeiro de 2023, será novamente o presidente da República. Na economia, os principais desafios do novo governo incluem a questão fiscal, a baixa produtividade e uma taxa de juros que segue elevada, assim como a inflação.

Nesse contexto, o que esperar dos investimentos no País, em especial os de renda fixa, que são a preferência da maioria dos brasileiros? Destaque-se que no, primeiro semestre de 2022, o volume investido por pessoas físicas no Brasil chegou a R$ 4,6 trilhões. Quanto à renda fixa, a participação no total passou de 57,5%, em dezembro do ano passado, para 61,3% no último mês de junho, equivalente a R$ 2,8 trilhões, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A entidade também afirma que 81,7% do volume financeiro do investidor de varejo está alocado em renda fixa.

Especialistas afirmam que, para uma projeção mais aprofundada, seria necessário que a equipe econômica que irá compor o governo já estivesse definida, bem como as políticas que serão adotadas. Apesar disso, é possível fazer alguns prognósticos.

“O programa econômico e social do governo Lula dependerá da composição da equipe econômica, algo que ainda não sabemos. Se ela tiver um caráter mais reformista, ortodoxo, o cenário para os gastos públicos fica mais previsível. Já uma equipe com perfil mais heterodoxo talvez traga um pouco mais de incertezas e volatilidade, o que poderia exigir juros mais altos por mais tempo”, comenta Carolina Taira, gerente de portfólio da B.side Investimentos.

Assim, caso a nova gestão adote medidas econômicas pró-mercado, os juros futuros tendem a cair, e os ativos em renda fixa devem ter bom desempenho. Do contrário, as incertezas farão com que o mercado exija um prêmio maior. Nesse caso, as taxas futuras devem subir, e os ativos de renda fixa podem ter retornos abaixo do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) ou até mesmo negativos.

Taxa de juros

De modo geral, porém, os especialistas entendem que o próximo movimento nos juros deverá ser de queda, sendo que a grande questão é quando os cortes vão começar a acontecer. “Já estamos no fim de um ciclo de alta, e a expectativa é de queda para 2023. Mas o fortalecimento do papel do Estado como indutor de crescimento deve deixar claramente as taxas de juros pressionadas para cima, a inflação um pouco maior e, consequentemente, os juros mais elevados”, explica Rodrigo Knudsen, gestor de renda fixa da Empiricus Investimentos.

Segundo ele, isso não muda o fato de que haverá queda de juros no ano que vem. “Não sabemos a magnitude de tudo o que vai acontecer, mas o efeito prático é que a queda será mais devagar, menor ou vai começar mais tarde”, afirma.

A Selic vinha registrando ciclos de alta desde março de 2021, quando passou de 2% para 2,75% ao ano. Atualmente, está em 13,75%. A projeção do mercado é de que o primeiro corte ocorra em junho, passando para 13,5%, e encerrando 2023 a 11,25%.

Carolina, da B. Side, diz que a recomendação, hoje, é de ativos prefixados com prazos curtos, de dois a três anos. Isso porque o risco político deve impactar os investimentos mais longos, especialmente nessa subclasse. Ativos atrelados à inflação, como títulos IPCA+, com prazos de três a seis anos, também são interessantes. Segundo a especialista, são ativos mais defensivos por garantirem, no cenário atual, retornos acima da inflação. Para prazos mais longos, a recomendação são os ativos pós-fixados.

Prazos longos

“Nossa recomendação é que ativos com prazos muito longos sejam evitados, pelo menos até que a nova equipe econômica seja definida. Caso o investidor tenha pouco conhecimento, os pós-fixados são mais seguros e devem seguir estáveis”, afirma a gerente de portfólio da B.side Investimentos.

Rodrigo Knudsen, da Empiricus, cita as Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B), título pós-fixado do Tesouro Direto que acompanha a variação da inflação (IPCA), somado a uma taxa prefixada, razão de ser chamado também de Tesouro IPCA+. O Tesouro Direto é considerado bastante seguro porque o investimento é realizado junto ao governo federal. Além disso, a aplicação é acessível, com aporte mínimo inferior a R$ 50, fácil de realizar e também de acompanhar.

 

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