Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de janeiro de 2018
Dietas com alto teor de colesterol podem elevar a velocidade do crescimento de tumores de câncer em até 100 vezes. É o que revelou um novo estudo publicado na revista científica Cell Stem Cell. O objetivo da pesquisa era entender a correlação entre dietas com alto teor de colesterol e um risco aumentado de câncer de cólon.
De acordo com a equipe de pesquisadores, as células-tronco podem ser a chave do problema. O aumento dos níveis de colesterol seria capaz de aumentar a rapidez com que essas células-tronco, que podem ser transformadas em quase qualquer tipo de célula no corpo, se multiplicassem, aumentando a taxa em que os tumores crescem.
“Estávamos ansiosos para descobrir como o colesterol influenciava no crescimento das células-tronco no intestino, o que, por sua vez, acelera a taxa de formação de tumores em mais de 100 vezes. A conexão entre colesterol e câncer de cólon já estava bem estabelecida, mas faltava entender o mecanismo por trás disso”, explicou Peter Tontonoz, da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo.
Em testes feitos com ratos, os pesquisadores notaram aumento do crescimento dos tumores depois de uma dieta rica em colesterol. As mesmas taxas de crescimento de tumor também foram maiores em outro grupo de ratos que teve um gene alterado para produzir mais colesterol por conta própria.
Uma vez que os níveis de colesterol dos ratos aumentaram, a capacidade das células-tronco de se multiplicarem aumentou, o que provocou a expansão do intestino e, como resultado, um aumento na taxa de formação de tumor.
Para os pesquisadores, o próximo desafio é verificar se o aumento dos níveis de colesterol também impactou tumores de outros tipos de câncer.
MIND
Depois de um estudo comprovando que a dieta MIND pode reduzir o risco de desenvolver Alzheimer, pesquisadores resolveram avaliar como essa alimentação pode beneficiar pacientes que sofreram um AVC (acidente vascular cerebral). Desenvolvida pela professora Martha Clare Morris, da Rush University Medical Center (Chicago – EUA), a dieta MIND é uma mescla da DASH, criada para diminuir a pressão arterial, com a mediterrânea.
Criada para promover a saúde do cérebro, a MIND prioriza o consumo diário de vegetais, nozes, feijões, peixes, aves, grãos integrais, azeite e bem pouco de vinho tinto. A recomendação é evitar carnes vermelhas, manteiga, margarina, queijos, doces, frituras e fast food.
Uma equipe da Rush University Medical Center, incluindo a idealizadora da dieta, resolveu descobrir se há um vínculo entre a adesão à dieta MIND e uma taxa mais lenta de declínio cognitivo em pacientes que sofreram um AVC. As descobertas foram apresentadas em uma conferência internacional sobre derrame, realizada neste mês, em Los Angeles, na Califórnia (EUA).
AVC e demência
“Sabemos que os sobreviventes de AVC são duas vezes mais propensos a desenvolver demência, em comparação com a população em geral”, explica Laurel J. Cherian, principal autora da pesquisa.
Como o estudo anterior sobre a dieta mostrou que as pessoas que aderiram à MIND foram avaliadas cognitivamente como se fossem 7,5 anos mais jovens, Cherian quis avaliar se isso também seria possível entre os sobreviventes de AVC.
O estudo conduzido por Lauriel foi realizado com 106 participantes que tiveram um AVC. Eles foram avaliados por cerca de quatro anos, sendo que fizeram um teste por ano para avaliar o nível de declínio cognitivo. Os participantes registraram sua dieta usando um questionário de frequência alimentar, que permitiu aos pesquisadores identificar o nível de aderência à dieta (alta, média e baixa).
De acordo com a equipe, “a alta adesão à dieta MIND foi associada a uma taxa substancialmente mais lenta de declínio cognitivo em sobreviventes de AVC”.
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