Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de janeiro de 2016
A presidenta Dilma Rousseff voltou a dizer, na sexta-feira, que não teme denúncias, criticou vazamentos e se mostrou disposta a apresentar qualquer documentação sobre qualquer tema. “Nos últimos dias tem havido denúncias, essas denúncias são de vazamentos. Eu não sei se as delações estão feitas ou não. Delação de quem, vazamento de quem. Mas me permita dizer, nós responderemos, eu especialmente responderei qualquer coisa, em quaisquer circunstâncias”, disse a mandatária durante café da manhã com jornalistas. “Para cada um dos jornais que pediram nós enviamos toda uma resposta a respeito de quem quer que seja. Se tornarem a pedir, nós tornaremos a enviar. Não tem nenhuma novidade nesta questão”, afirmou.
Nessa semana foi revelado que, em delação, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró declarou à Procuradoria-Geral da República ter ouvido do senador Fernando Collor (PTB-AL) menção à presidenta. Segundo Cerveró, em setembro de 2013, Collor afirmou que Dilma permitiu que ele tivesse liberdade para indicar os cargos de comando na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras.
A presidenta disse que as informações veiculadas não são claras. “A gente não sabe quem disse, quem falou e se é garantido. Não tem clareza. Para nós as perguntas nunca vêm claras”, reclamou.
“Não se pode tirar um presidente por não gostar dele”, diz Dilma
A presidenta chamou de “golpistas” as tentativas de impeachment de seu mandato e argumentou que não se tira o chefe do Executivo do cargo por “não gostar” ou “não simpatizar” com ele. Ela destacou que a democracia no País é “ainda jovem” e, por isso, a decisão de encerrar o mandato do presidente tem uma “repercussão política de longo prazo” na estabilidade do Brasil. “Não se pode no Brasil achar que você tira um presidente porque não está simpatizando com ele. Isso não é nem um pouco democrático”, afirmou.
Ao apontar a relevância da discussão de uma reforma da Previdência no Congresso Nacional, Dilma emendou: “Isso não significa que eu esteja dizendo que as tentativas, que acredito que são golpistas de alguns segmentos da oposição, de repetirem sistematicamente essa questão do impeachment, não sejam importantes”.
Na semana passada, em outro encontro com jornalistas, a mandatária disse ter certeza de que foi “virada do avesso” pelas investigações em curso no País, como a Operação Lava-Jato.
Na sexta-feira, entretanto, afirmou que “não há nenhuma novidade” nos vazamentos de informações que citam seu nome na operação e que vai prestar todas as informações necessárias quando solicitadas.
CPMF
Dilma defendeu ainda agilidade na aprovação da proposta de emenda à Constituição que recria a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). “Acho que é fundamental para o País sair mais rápido da crise aprovar a CPMF”, disse. “Reequilibrar o Brasil em um quadro em que há queda da produtividade implica necessariamente, a não ser que nós façamos uma fala demagógica, em ampliar impostos. Estou me referindo à CPMF”, afirmou, ao ser questionada sobre as dificuldades que o governo terá este ano na relação com o Congresso Nacional.
A presidenta argumentou que a CPMF é a solução mais viável do ponto de vista da arrecadação do governo, pois é de “baixa intensidade” e ao mesmo tempo “permite controle de evasão fiscal”. De acordo com a presidenta, o imposto também é o que menos impacta na inflação.
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