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Brasil “Diminuir como?”, médicos respondem a Bolsonaro sobre como reduzir as mortes por coronavírus

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Bolsonaro prometeu o envio de 4 mil toneladas de arroz ao Líbano, que teve o estoque de grãos e cereais comprometido por causa da explosão. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Especialistas responderam à pergunta feita na live desta semana pelo presidente Jair Bolsonaro sobre como “diminuir mortes” pelo novo coronavírus.

Todos lembram que, se medidas tivessem sido adotadas desde o início da pandemia, muitas mortes poderiam ter sido evitadas. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil tem 2.046.328 casos e 77.851 mortes por Covid-19. Isolamento social, testagem, rastreamento de contatos e uma coordenação central sob o comando do governo federal são alguns dos aspectos enfatizados pelos especialistas na enquete promovida pelo jornal O Globo sobre como salvar mais vidas de brasileiros em meio à pandemia.

Orientar a população sobre a proteção individual e evitar a prescrição e a propaganda de medicamentos sem qualquer eficácia comprovada são algumas das medidas urgentes a serem tomadas pelo próprio governo federal para ajudar a reduzir o crescimento dos números trágicos no Brasil, apontam os cientistas.

Isolamento social

“Não fizemos a quarentena de maneira correta em nenhum lugar do Brasil. Se fosse feito o fechamento total durante duas a três semanas quando tínhamos poucos casos, teríamos poupado vidas. Teríamos diminuído a taxa de ocupação de leitos das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), evitado a pressão sobre o sistema de saúde e reduzido o número de mortes em casa”, diz Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, da Fiocruz.

“Se o isolamento social tivesse sido incentivado como medida de prevenção, em nível nacional, poderíamos ter adiado o crescimento acelerado do número de casos e, como consequência, o número de mortes. No entanto, por falta de uma liderança do Ministério da Saúde, cada cidade fez do seu jeito. Algumas conseguiram fazer, outras não”, afirmou Guilherme Werneck,  professor do Departamento de Epidemiologia da Uerj e da UFRJ.

“Muitas mortes poderiam ser evitadas se desde o início do crescimento do número de casos o país tivesse adotado o isolamento social. Nunca houve uma regulamentação da quarentena, uma orientação que mostrasse a real necessidade”, diz Natália Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência.

O que deve ser feito

“A população precisa ser orientada sobre os cuidados de proteção individual, como o uso de máscara de proteção e evitar aglomerações. Redirecionar o investimento nos hospitais de campanha. Essas unidades podem ser usadas para acolher pacientes como sintomas leves a moderados que não têm condições de fazer o isolamento e o acompanhamento dentro do domicílio”, declara Margareth.

Para Werneck, “é preciso aumentar a vigilância dos casos fazendo testagem e rastreamento de contatos, medidas eficazes em vários países. Não pode haver uma retomada total em locais com situações diferente. Para muitas cidades, ainda não é hora de reabrir. Isso pode aumentar o número de casos e de mortes”.

Natália diz que “é preciso investir na testagem e isolamento dos infectados. Ainda há tempo para adotar medidas e diminuir o número de mortes.”

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