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Brasil Dinheiro vivo abastecia Aécio Neves, afirma um delator da empreiteira Odebrecht

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Segundo Benedicto Júnior, tucano pediu à empreiteira que pagasse R$ 6 milhões à PVR por serviços prestados à campanha do senador à Presidência, em 2014. (Foto: José Cruz/Abr)

Ex-executivos da empreiteira Odebrecht disseram em delação que valores pedidos pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) à empresa e não contabilizados oficialmente foram entregues em dinheiro vivo em concessionárias de máquinas e até em apartamento de assessor parlamentar.

Os delatores também afirmaram que parte dos valores destinados ao PSDB foram transferidos a uma agência de publicidade de um marqueteiro de campanhas tucanas, que simulou a prestação de serviços para a Odebrecht.

Segundo petição do Ministério Público, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Barbosa da Silva Júnior, conhecido como BJ, disse que tinha “relação fluida com Aécio Neves, chegando a se encontrar semanalmente com ele”.

BJ e outro ex-executivo da Odebrecht, Sérgio Luiz Neves, afirmaram que em 2010 a construtora fez repasses não registrados oficialmente para atender a pedidos do tucano que somaram aproximadamente R$ 5,5 milhões.

Aécio teria dito que o montante seria destinado à campanha ao governo de Minas do atual senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

O valor foi dividido em oito parcelas que foram entregues em dinheiro vivo, a maior parte na concessionária Minas Máquinas localizada na avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, ao empresário Oswaldo Borges da Costa Filho, aliado de Aécio, de julho a setembro de 2010, segundo a delação.

Já durante a campanha de 2014, Aécio pediu contribuições para campanha dele, de Anastasia, do então candidato tucano ao governo de Minas Pimenta da Veiga e do deputado federal Dimas Fabiano (PP-MG), segundo BJ.

Foi acertado um repasse no valor de R$ 6 milhões. Desse total, R$ 500 mil destinados a Aécio foram entregues também a Costa Filho em uma concessionária de máquinas e caminhões situada na rodovia BR-381, de acordo com a colaboração premiada.

Outros R$ 2,5 milhões em espécie, de forma parcelada, foram levados para um apartamento situado na rua Olegário Maciel, no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte.

A parte reservada ao deputado e aliados, R$ 3 milhões, teve como destino a casa de um assessor parlamentar de Dimas Fabiano chamado Anderson. A quantia foi entregue em apartamento situado na rua Assunção, no bairro Sion, também em BH.

De acordo com as delações, também foram feitos repasses a tucanos por meio da agência de publicidade PVR Propaganda e Marketing, de Paulo Vasconcelos do Rosário Neto, marqueteiro que trabalhou para o PSDB.

Segundo Neves, em 2009 foi acertada a transferência de R$ 1,8 milhão e a assinatura de um contrato fictício entre a agência de publicidade e a Odebrecht para viabilizar a operação.

Em 2014, a construtora também transferiu R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Aécio com a intermediação da agência.

O que dizem os acusados

Aécio afirma que “considera importante o fim do sigilo sobre o conteúdo das delações e considera que assim será possível demonstrar a correção de sua conduta”.

O senador Anastasia diz que “nunca tratou de qualquer assunto ilícito”.

Dimas Fabiano nega ter mantido contato com executivos da Odebrecht e que tenha sido destinatário de recursos doados pela empresa.

O publicitário Paulo Vasconcelos afirma que conduziu todas as campanhas eleitorais respeitando as leis.

A reportagem não conseguiu contato com defesa de Oswaldo Borges da Costa Filho. (Folhapress)

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