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Mundo Disputa pela vacina pelo mundo ameaça gerar uma guerra comercial

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Em uma tentativa de conter o surto, regiões mais afetadas adotam restrições para os não imunizados. (Foto: Reprodução)

A União Europeia (UE) corre o risco de retaliação por parte de parceiros por causa do controle das exportações de vacinas contra a covid 19 fabricadas no mercado comum europeu, em meio à corrida por doses e aumento de casos com as novas variantes do virus.

A limitada capacidade da indústria desacelerou a vacinação em vários países. Isso de tornou a principal questão política na Europa, pode elevar as dificuldades em outras regiões e ampliar os confrontos em relação às vacinas.

Quanto mais lenta for a vacinação, mas mortes haverá e maior será o custo econômico e político da pandemia. Na Europa, a taxa de vacinação está entre cerca de 3% da população, bem abaixo dos 8,9% dos EUA, 13,1% do Reino Unido e 54% de Israel.

As empresas farmacêuticas têm recebido muito mais demanda do que a capacidade de produção de que dispõem. Há um esforço para duplicar, até triplicar, a produção, mas isso leva tempo. Outro risco é a falta de seringas.

As disrupções na cadeia de fornecimento à UE de duas vacinas, da Pfizer e da Moderna, elevam os problemas de imunização. A situação piorou com a AstraZeneca admitindo que só podia entregar à UE 25% das 100 milhões de doses acertadas para o primeiro trimestre. A suspeita da UE é de que a empresa privilegia a entrega de vacinas para o Reino Unido.

A EU reagiu com a decisão de potencialmente restringir exportações, o que pode cedo ou tarde atingir as vendas das doses para os outros grandes países industrializados e emergentes, como o Brasil, Índia, África do Sul e Turquia.

O Japão teme ficar sem duas vacinas que vem da Europa. O ministro Taro Kono, czar das operações de vacinação no país, reclamou que ‘’alguns governos podem tentar ser mais nacionalistas’’ e alertou que a imposição de medida como a da EU ‘pode levar a alguma forma de retaliação’’.

Também a Camara de Comércio Internacional (ICC), que representa milhões de empresas, apontou risco de a decisão europeia “desencadear uma ação retaliatória que sufocará as cadeias de suprimentos médicos globais, prejudicará a produção de vacinas e prolongará a pandemia’’.

Para o CEO de Pfizer, Albert Bourla, se uma ‘’guerra [comercial] começar, poderá criar um problema que não é bom para ninguém’’. A Pfizer diz que houve “uma pequena pancada’’ na produção de sua vacina, mas que as quantidades prometidas para dezembro serão fornecidas até março. A capacidade de suprimento deve aumentar, da estimativa inicial de 1,3 bilhão de doses para mais de 2 milhões, segundo ele.

A ministra de Relações Exteriores da Coreia do Sul, Kang Kyung-Wha, considerou ser difícil entender porque alguns países procuram ter mais vacinas do que o necessário para suas populações serem imunizadas, enquanto outros estão com dificuldades, e uma terceira categoria de países sequer tem recursos para entrar na corrida pela vacina.

Já a ministra de Comércio do Canadá, Mary Ng, insistiu junto ao vice-presidente e responsável por comércio da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, que seu país conta em receber as doses da vacina da Pfizer/BioNTech produzidas em países europeus.

O “nacionalismo de vacinas” praticado pela UE tem a ver com o agravamento da crise sanitária, mas também com o clima pré-eleitoral, por exemplo, na Alemanha, que tem eleições neste ano.

Mas o ministro alemão da Saúde, Jens Spahn, diz que um país tem que vacinar sua própria população para ter o apoio para medidas internacionais. Ou seja, se a Alemanha começar a enviar doses para o resto do mundo enquanto só vacinou 3% de sua população, isso não será aceito pelos alemães.

Nos EUA, Anthony Fauci, um dos principais assessores do presidente Joe Biden no combate à epidemia, deixou claro que o engajamento americano agora no Covax, a iniciativa multilateral para distribuir vacinas, não significará tirar doses “de Chicago ou Los Angeles e enviar para outros países”. O engajamento nesse caso pode passar por apoio financeiro para compra de vacina, quando ela estiver disponível, para nações pobres.

A possibilidade de restringir exportações de vacina na EU está prevista para durar até o fim de março. Enquanto isso, o confinamento em alguns países provoca reações violentas. Ontem, 5.000 pessoas, incluindo grupos nazistas, protestaram nas ruas de Viena, na Áustria. Na Bélgica, a polícia prendeu 300 pessoas que preparavam protesto ilegal. Na semana passada, a Holanda foi palco de manifestação violenta contra restrições impostas pelas autoridades diante do temor de novas variantes do vírus.

 

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