Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de março de 2019
Policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e promotores do MP (Ministério Público) do Rio de Janeiro prenderam, por volta das 4h30min desta terça-feira (12), o policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. A força-tarefa que levou à Operação Lume diz que eles participaram dos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Os crimes completam um ano nesta quinta-feira (14).
“É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia”, diz a denúncia. A nota do MP descreve como “barbárie” e “golpe ao Estado Democrático de Direito” o assassinato cometido na noite de 14 de março do ano passado. A investigação ainda tenta esclarecer quem foram os mandantes do crime.
Prisões
Ronnie e Élcio estavam saindo de suas casas quando foram presos. Eles não resistiram à prisão e nada disseram aos policiais. Ronnie estava em sua casa em um condomínio na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, o mesmo onde o presidente da República, Jair Bolsonaro, tem uma residência. Élcio mora na rua Eulina Ribeiro, no Engenho de Dentro.
A Operação Lume cumpriu ainda 32 mandados de busca e apreensão contra os denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munição e outros objetos. Durante toda a terça-feira, houve buscas em dezenas de endereços de outros suspeitos.
Após a prisão de Ronnie, agentes fizeram uma varredura no terreno da casa dele e encontraram armas e facas. Detectores de metais foram usados para vasculhar o solo e até uma caixa d’água passou por vistoria.
Deputado
O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) disse que, apesar das duas prisões, o caso “não está resolvido”. Amigo de longa data, ex-chefe e correligionário de Marielle, ele questionou: “A mando de quem [ela foi assassinada]?”.
“São prisões importantes, são tardias. É inaceitável que a gente demore um ano para ter alguma resposta. Então, evidente que isso vai ser visto com calma, mas a gente acha um passo decisivo. Mas o caso não está resolvido”, disse Freixo em entrevista.
Pesquisa
De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o crime foi meticulosamente planejado durante três meses. A investigação aponta que Ronnie fez pesquisas na internet sobre locais que a vereadora frequentava. Os investigadores sabem ainda que, desde outubro de 2017, o policial também pesquisava a vida de Freixo.
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