Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de março de 2017
Dois em cada três brasileiros dizem ter presenciado algum ato de violência física ou verbal contra uma mulher em seu bairro durante o ano passado. É o que revela uma pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada nesta quarta-feira (08), data em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher.
Segundo a pesquisa, 66% dizem ter visto ameaças, agressões e humilhações em sua comunidade em 2016. A situação mais comum (presenciada por 51%) é a de mulheres sendo vítimas de ofensas e abordagens desrespeitosas de homens no meio da rua. Já 46% dizem ter presenciado homens xingando, humilhando ou ameaçando namoradas ou ex-namoradas, mulheres ou ex-mulheres.
Outras situações apresentadas aos entrevistados também foram flagradas, como a de homens brigando ou discutindo em razão de ciúmes de uma mulher (44%), a de mulheres da vizinhança sendo ameaçadas por companheiros ou ex-companheiros (37%), a de mulheres sendo agredidas por eles (também 37%) e a de meninas e moças da comunidade agredidas por parentes – pai, padrasto, irmão, entre outros (30%).
A percepção de violência varia ligeiramente entre homens e mulheres em algumas das situações. No geral, no entanto, tanto 66% dos homens como das mulheres revelam ter presenciado algum ato de violência no período.
Para diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, os dados mostram que a violência contra a mulher está “enraizada e naturalizada”. “Faz parte do cotidiano e muitas vezes não mobiliza energia de mudança. Passa a ser um dado do cotidiano. Mulheres são vítimas de agressão, ponto. A questão é: como mudar isso? Como mudar a gramática dessas relações sociais?”.
Negros x brancos
O que varia bastante, no entanto, é a percepção entre as populações negra e branca. A pesquisa mostra que 59% dos negros dizem já ter visto homens abordando mulheres na rua de forma desrespeitosa; esse índice cai para 45% entre os brancos.
O percentual difere em todas as situações relatadas; 37% dos negros dizem já ter visto moças ou meninas da vizinhança serem agredidas por parentes, por exemplo, ante 22% dos brancos. (AG)
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