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Economia Dólar tem nova queda e fecha abaixo de 5 reais e 20 centavos pela primeira vez no ano

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"Usar o dólar passa a ser privilégio dos aliados", diz professor.(Foto: Reprodução)

O dólar fechou em queda nesta terça-feira (15), com os investidores monitorando sinais de alívio nas tensões entre Rússia e Ucrânia. A moeda norte-americana recuou 0,74%, cotada a R$ 5,1802. É a primeira vez que o dólar fecha abaixo dos R$ 5,20 em 2022.

Na segunda-feira, o dólar fechou em queda de 0,43%, a R$ 5,2186 – menor cotação desde 6 de setembro do ano passado (R$ 5,1764). Com o resultado de hoje, passou a acumular queda de 1,17% na semana, de 2,36% no mês e de 7,08% no ano.

Cenário

Na cena internacional, a Rússia retirou de regiões de fronteira com a Ucrânia algumas das tropas que faziam exercícios militares e enviou os soldados de volta para suas bases. No entanto, não ficou imediatamente claro se era um sinal temporário de algum tipo de retração significativa.

Na agenda doméstica, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) acelerou a alta a 1,98% em fevereiro, depois de ter avançado 1,79% no mês anterior, sob o peso de commodities e combustíveis no atacado.

Participantes do mercado tem atribuído a performance do real à percepção de que o Brasil está atrativo para novos fluxos de dinheiro estrangeiro, com o patamar elevado dos juros básicos aumentando a rentabilidade do mercado de renda fixa local.

Quanto mais fluxo estrangeiro novo para o mercado acionário local, maior a oferta de dólar e, portanto, mais pressão de baixa sobre a moeda norte-americana.

Ainda na agenda interna, preocupações continuam com a alta de preços. A inflação em janeiro foi mais alta para famílias de renda muito baixa. Já as famílias de renda alta sentiram menos o aumento dos preços no primeiro mês do ano. Os números são resultado do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda divulgado nesta terça (15).

Queda

O dólar está perdendo força em 2022. Em janeiro, a moeda norte-americana acumulou queda de quase 5%. Este mês, ela rompeu a barreira dos R$ 5,30 e, entre altas e baixas, chegou a bater em R$ 5,17 durante os negócios da quinta-feira (10), no menor patamar intradia desde setembro.

Em 2022, o Brasil é o país onde o dólar mais se desvalorizou, segundo dados da Economatica. O alívio na pressão cambial, no entanto, exige cautela, já que as eleições devem entrar no radar dos investidores nos próximos meses, segundo especialistas. De acordo com o último boletim Focus, a previsão é que o dólar termine o ano em R$ 5,60.

Confira abaixo os motivos que levaram o dólar ficar abaixo dos R$ 5,30:

1) Volume de investimento estrangeiro

O alto volume de investimento estrangeiro que o Brasil vem recebendo é um dos fatores que impulsiona a valorização do real frente ao dólar. Até quarta-feira (9), a bolsa de valores de São Paulo, a B3, registrava uma alta de 7,29% nesses investimentos em 2022.

De forma simples, a regra segue a lei da oferta e demanda: se o investidor de fora coloca mais dólares na economia brasileira, haverá um volume maior da moeda por aqui. E quanto maior a oferta, menor o preço.

Em janeiro, o investimento estrangeiro na bolsa atingiu R$ 32,49 bilhões na B3 — a segunda melhor marca desde 2012 e o quarto mês consecutivo de entradas de capital estrangeiro.

2) Aumento dos preços das commodities

O aumento dos preços das commodities no mercado internacional também fortalece o real, uma vez que há um forte ingresso de dólares no país com a venda de produtos, como soja, minério de ferro e petróleo, explicou André Perfeito, economista-chefe da Nécton.

O preço das matérias-primas com influência sobre a inflação apresentou alta de 2,99% em janeiro, após variação negativa de 0,71% em dezembro. Em 12 meses, o Índice de Commodities Brasil (IC-Br) teve elevação de 40,41%, divulgado pelo Banco Central.

3) Taxas de juros

A alta da Selic também atrai estrangeiros para o Brasil, via investimentos em renda fixa. Depois da última decisão do Copom, o Brasil voltou a ter o maior juro real (descontada a inflação) do mundo – pagando, assim, um retorno atrativo ao capital externo. E o Banco Central já sinalizou pelo menos mais uma alta da taxa, na próxima reunião, em março.

Segundo Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, os juros dos EUA, que devem subir a partir de março, também ajudam a cotação do dólar a baixar por aqui: diante da postura mais agressiva do Federal Reserve, o BC dos EUA, para combater a inflação por lá (que atingiu o maior nível em 40 anos), os investidores norte-americanos estão se desfazendo de suas aplicações na bolsa, já prevendo o crescimento mais tímido da economia do país e das próprias empresas em que investem.

“Os investidores passaram a ver o Brasil como um mercado interessante entre os emergentes”, explicou o sócio da Tendências.

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