Apesar das reclamações sobre o comportamento do presidente nas redes sociais, Barr disse que jamais falou sobre o caso com ele. Tradicionalmente, nos EUA, o presidente não interfere em ações judiciais, ainda que tenham impacto político.
Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de fevereiro de 2020
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu uma volta nas 500 milhas de Daytona no domingo (16), em sua limusine presidencial, recebendo aplausos dos fãs da corrida de maior prestígio no país. Antes, o Air Force One fez um sobrevoo sobre o estádio lotado.
Ampliando ainda mais seu esforço em busca da reeleição em todo o país após ter sido absolvido no julgamento de impeachment no Senado dos EUA, Trump fez a abertura do evento anual da Nascar, que acontece no estado da Flórida. Outros presidentes como Ronald Reagan e George W. Bush também participaram do evento durante seus mandatos.
Trump foi conduzido na limusine presidencial conhecida como “A Besta” diretamente para a pista de corrida, juntamente com sua carreata. Depois de conversar com os pilotos e fazer alguns comentários no microfone, exaltando o evento, ele deu início à corrida: “Senhores, liguem seus motores!”, gritou, para delírio da torcida presente.
Os motores aceleraram e Trump voltou à limusine com sua mulher, Melania, para dar uma volta na pista, com os carros de corrida atrás. Alguns fãs gritaram “Mais quatro anos” enquanto Trump estava lá. Logo após o início, a corrida foi adiada por causa do tempo chuvoso.
A Flórida é um dos poucos Estados americanos que oscilam entre democratas e republicanos nas eleições presidenciais. Trump ganhou o Estado em 2016, onde ele tem campos de golfe e uma casa que agora é considerada sua residência principal.
Interferência na Justiça
Um dia depois de o secretário de Justiça dos EUA, William Barr, dizer que os ataques de Donald Trump ao departamento “tornam o seu trabalho impossível”, o presidente foi ao Twitter, na última sexta-feira (14), reafirmar o que considera ser o seu “direito de interferir” em decisões da Justiça.
“‘O presidente nunca me pediu para agir em um caso criminal'”, escreveu Trump, citando uma frase de Barr. “Isso não significa que eu não tenha, como presidente, o direito legal de fazê-lo, eu tenho, mas até agora escolhi não usar esse direito”, continuou o ocupante da Casa Branca, ao fim de uma semana em que sua interferência no processo criminal contra um amigo e aliado político, Roger Stone, levantou questões sobre a erosão da independência do Judiciário americano.
A mensagem de Trump foi uma resposta à entrevista de Barr à ABC News, na quinta-feira, quando ele disse que os frequentes ataques do presidente ao Departamento de Justiça, na maior parte via Twitter, tornaram o seu trabalho “impossível” e afirmou que não seria “intimidado nem influenciado por ninguém”.
Apesar das reclamações sobre o comportamento do presidente nas redes sociais, Barr disse que jamais falou sobre o caso com ele. Tradicionalmente, nos EUA, o presidente não interfere em ações judiciais, ainda que tenham impacto político.
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