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Mundo Donald Trump deve sofrer impeachment na Câmara dos Deputados, mas não deixará a presidência dos Estados Unidos; entenda

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Trump continuará no cargo, esperando o resultado do julgamento no Senado. (Foto: Tia Dufour/The White House)

A Câmara dos Deputados dos EUA deve decidir nesta quarta-feira (18) se o presidente Donald Trump será submetido a um julgamento de impeachment pelo Congresso. Após cinco semanas de debates, depoimentos de testemunhas e coletas de documentos, os deputados votarão sobre o indiciamento do presidente por abuso de poder e obstrução do Congresso por ter supostamente constrangido o governo da Ucrânia a anunciar uma investigação contra um opositor político de Trump em troca de ajuda militar ao país – e tentado atrapalhar inquérito sobre sua conduta. As informações são da BBC News.

Até o momento, 194 deputados se declararam publicamente a favor do impeachment e 167, contra. Como basta maioria simples para que o caso seja enviado ao Senado, a expectativa é que Trump enfrente o escrutínio dos senadores no começo do próximo ano.

Embora acirre as tensões políticas no país, que irá às urnas para eleger presidente em 2020, o processo de impeachment no Congresso é visto como um jogo de cartas marcadas tanto por democratas quanto por republicanos.

Na Câmara, onde a oposição está em maior número, a investigação prosperará, mas será barrada no Senado, onde Trump conta com ampla maioria. Trump continuará no cargo, esperando o resultado do julgamento no Senado.

Embora tenha sido reiteradamente acusado pelos democratas de condutas ilegais e impróprias ao longo do mandato e tenha sido alvo de uma investigação sobre as relações de sua campanha presidencial com a espionagem russa, o processo de impeachment de Trump nada tem a ver com inquéritos anteriores.

O gatilho para a investigação atual foi um telefonema entre o presidente americano e o ucraniano, Volodymyr Zelensky, em julho desse ano.

Trump disse ao colega que gostaria de lhe pedir “um favor”: uma investigação sobre o filho de um dos pré-candidatos dos rivais democratas, Joe Biden. Hunter Biden fez parte da diretoria de uma empresa ucraniana de gás sobre a qual recaem acusações de corrupção enquanto seu pai era vice-presidente do governo de Barack Obama.

Um funcionário público que ouviu a conversa de julho denunciou, anonimamente, que Trump propunha uma espécie de quid pro quo: se o presidente ucraniano não anunciasse a investigação sobre o filho de seu possível rival, os Estados Unidos não liberariam uma verba milionária de auxílio militar, nem receberiam Zelensky na Casa Branca.

A expressão latina quid pro quo ganhou destaque no vocabulário político americano e se refere a uma troca de favores.

A Ucrânia sofre intensa pressão econômica e militar da vizinha Rússia, que a invadiu pela última vez em 2014. Logo, tanto o dinheiro quanto a demonstração clara de proximidade com os americanos são vitais para que Zelensky proteja o território do país de ações russas.

O que aconteceu durante as investigações? Ao longo das investigações, os democratas acusaram Trump de usar dinheiro do contribuinte americano para se beneficiar política e pessoalmente em uma disputa eleitoral.

Disseram ainda que Trump ameaçou a segurança nacional ao incluir um país estrangeiro como elemento no pleito de 2020. E chegaram a qualificar os atos do presidente como corrupção e extorsão, mas optaram por não levar adiante formalmente tais acusações por temer falta de apoio político.

No pior momento para Trump, seu embaixador para a União Europeia, Gordon Sondland, disse que “houve um claro quid pro quo” na relação entre os dois presidentes. E que seguia ordens de Trump ao conduzir as relações entre os dois países.

O embaixador disse ainda que demais integrantes da gestão, como o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o vice-presidente, Mike Pence, sabiam dos interesses pessoais de Trump na relação com a Ucrânia.

Sondland era um empresário republicano do setor hoteleiro no Oregon até que doou um milhão de dólares para a festa da posse de Trump e acabou catapultado ao posto diplomático, onde se envolveu diretamente na relação entre autoridades americanas e ucranianas.

Embora suas palavras tenham peso, especialmente quando ditas ao vivo e transmitidas em cadeia nacional de televisão, Sondland mostrou-se muito longe de ser um profissional da política: não tinha anotações sobre suas ações, algo importante nesse tipo de função, e também admitiu ter se orientado com base em coisas que o presidente nunca lhe disse.

Trump nega que tenha havido qualquer tentativa de troca de favores, corrupção ou extorsão. “Foi uma conversa perfeita com o presidente ucraniano”, afirmou ele, em sua conta no Twitter. E alega que liberou o dinheiro aos ucranianos sem que Zelensky anunciasse investigações contra Biden e antes que o escândalo viesse à tona (na verdade, tanto a liberação da verba quanto a denúncia pública acontecem em meados de setembro e não está claro se Trump já sabia das denúncias contra si no momento da liberação).

 

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