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Mundo Donald Trump diz que a sua liderança nas urnas “desapareceu magicamente”. Joe Biden promete não descansar “até todos os votos contados”

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Pelas regras americanas, o pedido pode ser feito quando a diferença entre os dois candidatos é menor que um ponto percentual. (Foto: EBC)

Diante de uma mudança de rumo na apuração em Estados que devem decidir a eleição norte-americana, o presidente Donald Trump sugeriu a ocorrência de fraude em locais onde liderou os votos nas horas que se seguiram ao fechamento das urnas mas que agora sinalizam vitória do seu adversário Joe Biden. Ele ingressou com ações para suspender a contagem em Michigan, Geórgia e Pensilvânia, bem como a recontagem em Wisconsin.

“Apesar da ridícula tática de usar as pesquisas como tática de supressão de votos, o Wisconsin está por um fio, como sabemos que seria”, disse, em comunicado, o chefe da campanha do republicano, Bill Stepien. “Houve relatos de irregularidades em vários condados de Wisconsin, levantando sérias dúvidas sobre a validade dos resultados. O presidente está dentro da margem para pedir uma recontagem e o fará.”

Pelas regras eleitorais do país, o pedido pode ser feito quando a diferença entre os dois candidatos for menos do que um ponto percentual.

Mais tarde, agora sobre Michigan, a campanha disse que não tem acesso considerável para acompanhar a abertura dos votos “em muitos locais”, e que, por isso, entrou com um pedido na Justiça para suspender a até que tenha um acesso que considere justo. Eles querem ainda revisar todos os votos que foram contados neste intervalo.

“O presidente Trump está tem o compromisso de garantir que todos os votos legais sejam contados no Michigan e em todos os outros lugares”, afirmou o comunicado. Horas depois, a secretária de Estado, Jocelyn Benson, disse que todos os votos válidos foram contados, e chamou a iniciativa de “frívola”.

Por fim, na terceira ação do dia, a campanha entrou com processos na Pensilvânia, questionando o prazo para recebimento das cédulas por correio e, tal qual no Michigan, pedindo a suspensão geral da contagem alegando falta de acesso ao processo de abertura das cédulas. Em nota, Justin Clarke, vice-chefe da campanha republicana, afirma que o caso deve ser levado à Suprema Corte. Por fim, já à noite, foi a vez de entrar com pedido para suspensão da contagem na Geórgia, onde a disputa está acirrada.

A estratégia veio em meio a ataques de Donald Trump ao rumo das apurações, incluindo sugestões de que houve fraude no processo.

“Na noite passada eu estava liderando, por vezes de forma sólida, em muitos Estados-chave, em quase todos locais controlados pelos democratas. Então, um por um, começaram a magicamente desaparecer e cédulas surpresa foram contadas”, publicou o presidente no Twitter no começo da tarde. “MUITO ESTRANHO e os ‘analistas’ entenderam isso completamente e historicamente (de forma) errada.”

Tal qual na postagem em que se declarava vencedor, o texto recebeu uma sinalização do Twitter de que seu conteúdo seria contestável e que poderia ter informações incorretas. Em seguida, Trump passou a questionar a vantagem que esses votos antecipados estavam dando a Joe Biden – que na noite na véspera havia declarado “estar no caminho para a vitória” e que “não vai descansar até que o voto de todos seja contado”.

“Por que toda vez que eles contam os votos por correio eles acabam sendo tão devastadores em termos de porcentagem e poder de destruição?”, publicou Trump. Ele mencionou de forma direta os Estados do Wisconsin e Michigan, onde já aparece atrás de Biden, e da Pensilvânia, onde sua diferença que chegou a ser de 11 pontos percentuais caiu para oito, com muitos votos de redutos democratas ainda por apurar.

Com um número sem precedentes de votos depositados de forma antecipada, seja por correio ou de forma presencial, a apuração nos Estados Unidos acabou refletindo esse cenário. Inicialmente, uma série de estados cruciais, como Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, davam largas vantagens a Donald Trump, retrato da apuração dos votos depositados no dia da eleição e apontados como favoráveis ao republicano.

Ataques

Ao longo da campanha, Trump atacou o voto antecipado, sugerindo (tal como fez hoje) que seriam suscetíveis a fraudes, mesmo sem evidências palpáveis de que eles poderiam ser violados. Biden, por outro lado, defendeu o voto antecipado, e analistas apontam que a maioria das cédulas ainda por contar deve favorecer o democrata.

No começo da tarde, a Associação Nacional de Secretários de Estado e a Associação Nacional de Diretores Estaduais de Eleições emitiu um comunicado reforçando que cada um dos votos depositados está sendo contado, e que os números podem mudar até que sejam considerados definitivos pelas autoridades locais: “Por favor, saibam que isso é padrão para todas as eleições.”

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