Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de setembro de 2021
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante o evento de boxe “Triller Fight Club” realizado no último fim de semana, na Flórida. Trump foi um dos comentaristas e aproveitou a participação para exaltar também Eduardo Bolsonaro, com quem se encontrou recentemente.
“Eu tenho que lhe dizer: eu amo o presidente do Brasil. Ele e o filho dele são ótimas pessoas. Ele trabalha duro para ajudar o seu povo. Espero que ele esteja bem”, disse o ex-presidente norte-americano.
Trump estava ao lado de Junior Cigano, campeão do Ultimate Fighting Championship (UFC). Os brasileiros Vitor Belfort e Anderson Silva participaram do encontro e venceram seus respetivos combates.
O vídeo foi publicado pelo ex-assessor de Trump, Jason Miller, na rede social fundada por ele, Gettr. O site foi criado após o antigo chefe ter sido expulso do Facebook e Twitter por ter insuflado apoiadores a invadir o Congresso norte-americano em janeiro deste ano. A postagem também está no Twitter e foi compartilhada por apoiadores do presidente brasileiro.
Recentemente, Miller foi ouvido no inquérito que apura a organização de milícias digitais bolsonaristas para atacar as instituições democráticas. Ele estava no Brasil a convite de Eduardo Bolsonaro, para participar da CPAC Brasil, edição nacional da conferência de conservadores que acontece nos EUA. O americano também esteve com ex-chanceler Ernesto Araújo e com o assessor de assuntos internacionais da Presidência, Filipe Martins.
Miller se vangloria de que sua rede, lançada há dois meses, já tenha mais de um milhão de usuários.
Gettr
A nova rede social vem ganhando força entre apoiadores da extrema direita nos Estados Unidos e no Brasil. Segundo seu criador, Jason Miller, a Gettr foi projetada “para ser um mercado de ideias e criar um espaço que promova a liberdade de expressão”. Analistas, no entanto, apontam para uma rede social que, assim como os antecessores Gab e Parler, está destinada a ficar confinada a um nicho de usuários.
Uma análise publicada pelo Observatório da Internet da Universidade Stanford sobre a nova plataforma alerta ainda para o perigo de proliferação de conteúdos adultos gratuitos e imagens de exploração sexual infantil, já que o sistema automatizado que deveria detectar essas ocorrências é frágil.
“É uma plataforma de liberdade de expressão para todos e damos as boas-vindas a usuários de todos as matizes políticas”, disse Miller. “Não temos medo de ideias que desafiem as nossas e não cancelaremos as pessoas por suas opiniões políticas ou ideológicas. A Gettr permite uma verdadeira troca de ideias e informações, sem censura pesada de opiniões e a cultura do cancelamento que são tão comuns entre os gigantes da tecnologia. Em nenhuma outra mídia social os usuários podem encontrar uma experiência melhor, uma tecnologia melhor e um mercado de ideias melhor.”
A rede, porém, reúne discursos de ódio contra minorias, teorias da conspiração e um forte movimento antivacinas. Tudo sem filtro e com pouquíssimos mecanismos de controle, problemas que fizeram com que o Gab — criado nos EUA em 2016, como uma espécie de “Twitter de direita” — e o Parler acabassem banidos por plataformas como Amazon, Apple e Google.
“Por trás da narrativa da liberdade expressão, está um álibi perfeito para divulgar todo o tipo de teorias conspiratórias”, afirma David Nemer, professor da Universidade da Virgínia, destacando que, diferentemente do Brasil, nos EUA o discurso de ódio não é criminalizado porque é protegido pela Primeira Emenda da Constituição.
Estratégia de Trump
Emerson Brooking, especialista do Laboratório de Pesquisa Digital do Atlantic Council, um centro de estudos de Washington, explica que o próprio contexto em que a Gettr foi criada e as pessoas que foram importadas automaticamente indicam que sua inclinação política é clara.
“Trump não está lá, mas seu nome está reservado para quando ele quiser entrar. Ele e Miller são muito próximos e é óbvio que é uma rede em que ele estaria. Mas o engraçado é que o ex-presidente detesta ser visto como fraco. Por isso, entrar em uma nova plataforma que não seja tão popular pode representar uma demonstração de fraqueza”, pontua Brooking.
Nemer acredita se tratar de uma estratégia política do ex-presidente americano: uma maneira de “demonstrar força nas redes mas não ser diretamente implicado”, caso ela fracasse. Além disso, aponta o especialista, “o radicalismo não é bem visto pelo americano comum”.
“É uma forma de ele se resguardar. Mas indiretamente é uma rede pró-Trump. Até agora os trumpistas não estão conseguindo catalisar esse discurso radical. A estratégia de 2016 não funcionou em 2020 e não deve funcionar em 2024. Ele está tentando se reciclar.”
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Não é à toa a reciprocidade (…).