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Mundo Dubai se torna refúgio das empresas e dos ricos russos

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O interesse em Dubai tem estimulado um mercado imobiliário já bastante aquecido. (Foto: Reprodução)

O emirado de Dubai, no Oriente Médio, está rapidamente se tornando o centro
internacional preferido de empresas e da elite russa que procuram gerir seus
negócios e proteger seu dinheiro das sanções impostas à Rússia por causa da
invasão da Ucrânia.

A maior empresa de navios petroleiros da Rússia se instalou na cidade e os russos têm investido em apartamentos de luxo lá. Dubai também está atraindo traders de commodities, startups e funcionários de empresas ocidentais que saíram da Rússia.

Por trás dessa movimentação toda está a decisão dos Emirados Árabes Unidos e de sua principal cidade comercial de não aplicarem as sanções dos Estados Unidos e da União Europeia (UE) à Rússia, uma vez que tentam manter uma posição de neutralidade com relação à guerra, apesar de sua longa parceria com Washington na área de segurança.

Aqueles que se mudam para Dubai já encontram uma comunidade dinâmica de cerca de 100 mil falantes de russo e outros benefícios, como leis de imigração relativamente brandas e ausência de um imposto sobre a renda.

O turismo russo também duplicou neste ano, pois os voos entre Moscou e os Emirados Árabes Unidos não foram interrompidos.

“Dubai tem um conjunto quase perfeito de condições para torná-la atraente para os russos que buscam um porto seguro para suas famílias e seus bens”, disse Racha Helwa, economista do Centro Rafiq Hariri para o Oriente Médio do Atlantic Council, de Washington.

Autoridades ocidentais pediram aos Emirados Árabes Unidos para restringir o
comércio com a Rússia, mas sem sucesso. Embora outros países, como Turquia e Cazaquistão, também recebam russos, e a Índia compre petróleo da Rússia, o papel de Dubai como centro financeiro internacional significa que diplomatas ocidentais estão especialmente preocupados com a possibilidade de que o emirado seja usado para contornar sanções.

“Não peço que eles participem das sanções”, disse o ministro da Economia alemão, Robert Habeck, a jornalistas em março, durante uma visita à capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi. “Mas peço sim que não ajam como aproveitadores com relação às sanções europeias e americanas.”

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos não respondeu a pedidos de que comentasse o assunto.

O cientista político Abdulkhaleq Abdulla, dos Emirados Árabes Unidos, disse que a abertura do país às empresas russas reflete a decisão dos emirados de manter uma posição de neutralidade na política externa.

“Quando se trata de sanções americanas e da União Europeia, somos muito
seletivos”, afirmou ele. “E às vezes podemos dizer não.”

Antes da guerra na Ucrânia, a estatal russa de petroleiros Sovcomflot administrava seus navios desde São Petersburgo, conduzia suas operações bancárias europeias em Chipre, e alugava os serviços de transporte de sua frota de 122 navios-tanque para empresas petrolíferas de todo o mundo, como a francesa TotalEnergies e a Aramco, da Arábia Saudita.

Agora as sanções dos EUA e da UE proíbem qualquer negociação com a empresa, o que impede a Sovcomflot de trabalhar com seguradoras, bancos e operadores na Europa. Funcionários e ex-funcionários disseram que a Sovcomflot optou por transferir grande parte de suas operações e alguns de seus funcionários para Dubai, onde os executivos estão confiantes de que o governo não aplicará sanções à sua subsidiária.

Autoridades do setor de transporte marítimo e especialistas em sanções explicam que com uma base em Dubai a Sovcomflot pode conseguir serviços para manter seus navios em operação, como abastecimento de combustível, reparos, contratação de tripulações e serviços bancários.

O arranjo foi uma tábua de salvação para as exportações de petróleo de Moscou, pois empresas estatais russas como a Rosneft têm usado navios-tanque da Sovcomflot para transportar petróleo, de acordo com bancos de dados de remessas. A receita com a exportação de energia representa 40% do orçamento da Rússia.

A maioria das pessoas e empresas russas que se mudaram para Dubai não é alvo de sanções.

No início de março, Sofia Kostiunina decidiu transferir a sede de sua startup
Speaklab Limited de São Petersburgo para Dubai, pois as sanções à economia russa significavam que ela não poderia gerir pagamentos para parceiros no exterior ou usar serviços de videoconferência e de e-mail de marketing de empresas ocidentais.

Sua empresa reúne pessoas de diferentes países para aprender idiomas de forma presencial e pela internet, e teria fechado se tivesse ficado na Rússia. Estabelecer a Speaklab no centro financeiro de Dubai levou apenas algumas semanas.

“Muitas empresas têm transferido funcionários para Dubai, principalmente porque é fácil levar trabalhadores da Rússia para Dubai”, disse ela. “Não tivemos muita escolha.”

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