Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de fevereiro de 2018
Causou mal-estar em várias instituições a declaração do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Fernando Segovia, de que a tendência é que a PF recomende o arquivamento da investigação contra o presidente Michel Temer no chamado inquérito dos portos. A declaração foi feita em entrevista à agência Reuters. Segundo Segóvia, não foram encontradas provas nas investigações contra Temer.
Além disso, o diretor da PF afirmou que seria possível abrir investigação interna para apurar a conduta do delegado Cleyber Malta Lopes pelos questionamentos enviados a Temer no caso. Na ocasião, a defesa do presidente disse que as perguntas colocavam em dúvida a “honorabilidade e a dignidade pessoal” do presidente.
Várias entidades se manifestaram contrárias as declarações, imediatamente após a divulgação do teor da entrevista de Segovia.
Em nota conjunta, o Sindicato e a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, e o sindicato dos delegados federais paulistas, afirmaram, neste sábado, que o delegado Cleyber Malta Lopes “agiu – e age – respaldado pela mais absoluta legalidade”.
Segundas as entidades, “é prerrogativa do Delegado de Polícia ouvir testemunhas e investigados. Ele jamais pode ser alvo de apuração por fazer perguntas a um suspeito, independentemente de quem seja ou do cargo que ocupe. Afirmar que o Delegado de Polícia pode até se ‘punido’ pelo ‘tom’ de suas perguntas é inaceitável, por isso, manifestamos irrestrita defesa às suas prerrogativas e veemente repúdio a qualquer tentativa ou ato de ingerência política no que diz respeito ao seu trabalho nas investigações do caso”.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) divulgou uma nota oficial neste sábado, em que critica a declaração do diretor-geral da PF sobre o inquérito dos Portos. “É sempre temerário que a direção-geral emita opiniões pessoais sobre investigações nas quais não está diretamente envolvida”, indicou a nota assinada pelo presidente da associação, Marcos Camargo.
A APCF representa 1.400 peritos criminais responsáveis pela produção de laudos técnicos utilizados como provas nas investigações e processos em que a PF atua.
Para os peritos, a PF trabalha com independência e, portanto, “as eventuais declarações à imprensa não afetarão a rotina dos colegas dedicados à apuração citada pelo diretor”.
“Entre os elementos que garantem a isonomia da PF estão os laudos produzidos pela perícia criminal federal, que é uma carreira submetida, por força de lei, à necessidade de agir com equidistância das partes. Os laudos garantem a sustentação científica da investigação e do processo criminal”, concluiu a nota da APCF.
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