Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de janeiro de 2018
O processo de recuperação da economia que começou em 2017 deverá se acelerar em 2018, com maior geração de empregos, juros baixos e inflação sob controle, preveem especialistas. No entanto, o fato de ser um ano mais favorável não significa que 2018 será exatamente tranquilo. “A eleição para presidente é a principal incógnita”, afirma Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec-RJ.
Além das eleições, a aprovação da reforma da Previdência e a possível confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda instância da Justiça são outros eventos que merecem ser monitorados, diz Espírito Santo.
Inflação
A inflação deve permanecer sob controle e próxima da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,5% ao ano. “O cenário para a inflação não será tão bom como foi em 2017, quando a super safra de alimentos derrubou os preços. Mas, ainda assim, não vejo nada que possa provocar uma disparada em 2018”, afirma o economista da Órama.
Adriana Dupita, do Santander, diz que a indústria ainda tem uma capacidade ociosa grande, e que o desemprego ainda está alto. “Essa ociosidade contribui para que a inflação permaneça baixa, mesmo em um cenário de aceleração do crescimento.”
Emprego
A população deve perceber a melhora da economia em 2018 principalmente por causa do aumento da oferta de empregos. Depois de a taxa de desemprego ter atingido um pico de 13% em 2017, ela começou a cair no último trimestre do ano e deve seguir em queda ao longo de 2018.
“Acreditamos que a taxa de desemprego vai cair para algo entre 10,5% e 11% no fim de 2018”, diz Adriana Dupita, do Santander. “Alguns setores já estão acelerando, enquanto, em outros, a recuperação ainda não começou. O ritmo da atividade hoje está heterogêneo, mas a tendência é que toda as áreas melhorem em 2018.”
Juros
Com a inflação controlada, o BC poderá manter a Selic, taxa básica de juros, em um patamar extremamente baixo. Hoje, a Selic está em 7% ao ano, a menor taxa dos últimos 23 anos. Mas os economistas acreditam que ela ainda pode cair mais, até 6,75%, e ficar nesse nível até o fim de 2018.
“Há espaço para o Banco Central realizar um novo corte da Selic, de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa para 6,75%. Esse seria um bom ponto para encerrar o ciclo de afrouxamento monetário [de redução dos juros] iniciado no fim de 2016”, afirma Adriana.
Para a população em geral, juro menor significa crédito mais barato. A expectativa dos economistas é que o crescimento da economia, a redução do desemprego e a queda dos juros animem os bancos a aumentar a oferta de financiamentos, estimulando o consumo.
Dólar
O comportamento do real em relação ao dólar é, certamente, a variável econômica mais difícil de prever em 2018. As dúvidas sobre a aprovação da reforma da Previdência e sobre quem serão os candidatos que disputarão a corrida presidencial poderão provocar grandes oscilações na cotação da moeda.
Por enquanto, os economistas ouvidos mantêm o otimismo em relação ao câmbio e afirmam que o dólar deverá terminar entre R$ 3,30 e R$ 3,50 até o fim de 2018. A média das previsões do Boletim Focus também aponta para uma taxa em torno de R$ 3,30, ou seja, praticamente estável em relação ao câmbio atual.
A principal preocupação dos investidores é que o futuro presidente da República mantenha o chamado “tripé macroeconômico”, ou seja, o controle da inflação por meio de política de juros, com câmbio flutuante e cumprimento da meta fiscal (diferença entre tudo que o governo gasta e arrecada).
“O mercado não tem paixão por nomes, mas por ideias. Se, eventualmente, for eleito um candidato que tenha intenção de abandonar o tripé macroeconômico, isso pode provocar volatilidade no câmbio, nos juros e na Bolsa”, alerta Adriana Dupita.
Alexandre Espírito Santo, da Órama, diz que o mercado financeiro também está muito atento ao julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, marcado para 24 de janeiro.
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