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Economia Economistas dizem que aumento na taxa básica de juros é “balde de água fria” na recuperação da economia, mas avaliação é que esta é a única forma de controlar a inflação

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O Banco Central aumentou a taxa Selic de 2,75% para 3,50% ao ano. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O Banco Central elevou, na última quarta-feira (5)A taxa básica de juros, a Selic, foi elevada na quarta-feira (5) pelo Banco Central (BC) de 2,75% para 3,50% ao ano, depois de um longo período de juros baixos, cujo piso foi de 2%.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou as expectativas dos analistas de mercado. Especialistas também concordam em relação às consequências da decisão para a economia: a Selic mais alta vai tirar o pouco ímpeto da economia brasileira e dificultar a geração de empregos.

No entanto, reconhecem que não há o que fazer diante do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegando perto de 8% em 12 meses ainda em maio, segundo as previsões. A meta que perseguida pelo Banco Central é de no máximo 5,25%.

Juros mais altos dificultam o crédito para investimentos e deixam menos recursos sobrando no orçamento das famílias para o consumo de bens e serviços. Isso não só dificulta a reação de empresas em crise como também desestimula novos negócios.

Pelas contas da economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Silvia Matos, os serviços prestados às famílias ainda estão 23,7% abaixo do nível pré-pandemia, em fevereiro de 2020. O setor é o mais afetado pela crise atual, respondendo por 70% do emprego gerado na economia.

São 14,4 milhões de desempregados, situação que tem derrubado a renda das famílias, que estão comprometendo mais do orçamento com dívidas. Crédito mais caro não ajuda a melhorar essa situação.

“É um balde água fria nessa recuperação que vem no pós-pandemia, que poderia ser maior se não tivéssemos que lidar com uma política monetária mais apertada no fim do ano e no ano que vem”, diz Silvia, da FGV.

Economistas reconhecem que o novo ciclo de aperto monetário — que, pela média das previsões do mercado deve terminar com a taxa em 5,5% em dezembro — vai esfriar a atividade econômica, que já está se arrastando e com resultados muito desiguais.

Por outro lado, reconhecem que vai ajudar a desacelerar a inflação.

Crescimento menor

Espera-se que o PIB cresça 3,1% neste ano, avanço que não será suficiente nem para alcançar o nível de 2019, anterior à pandemia.

O impacto no PIB deste ano da alta de juros vai depender de quanto o Banco Central pretende subir a taxa Selic até o fim do atual ciclo de alta.

Se parar em 5,5% este ano, como espera o mercado, o freio na atividade é limitado, afirma Thaís Zara, economista sênior da LCA Consultores:

“Até 5,5% ao ano, ainda teria algum estímulo para economia. Vai depender muito do tamanho total ciclo. Se o aperto monetário terminar em 5,5% ou 6,5% ou perto de 7%.”

Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria diz que, apesar da alta, os nossos juros estão em patamares abaixo do esperado para o nosso padrão histórico:

“O maior desafio é conseguir melhora a questão sanitária e evitar uma terceira onda.”

Para 2022, quando os efeitos da alta de juros serão sentidos na sua plenitude, a previsão é de expansão de 2,32%. Já chegou a 2,50%, mas a previsão foi caindo ao longo do ano passado, conforme o mercado aumentava a projeção para a taxa de juros.

Dólar contribui 

A segunda onda da pandemia bem mais forte que a primeira, a discussão prolongada do Orçamento da União de 2021, déficit público persistente e alto, dívida crescente e a instabilidade política estão provocando a valorização do dólar.

Como cerca de 30% dos preços no Brasil são influenciados em alguma medida pelas variações da moeda americana, a inflação sobe. Para combatê-la, o Banco Central aumenta juros e a economia se retrai.

Fernando Gonçalves, economista do Itaú, explica que a alta dos juros pode ajudar a queda do dólar. O banco espera dólar valendo R$ 5,30 no fim do ano. Nesta quarta-feira, fechou em R$ 5,36.

“As commodities estão em patamar alto (somos exportadores) e se esperaria um câmbio, um real, mais apreciado. A subida de juros também aumenta o diferencial de juros em relação ao mundo, o que também atrairia dólares para o Brasil, valorizando o real. Mas nossos problemas domésticos relacionados ao tema fiscal, à ruidosa discussão do orçamento e incertezas importantes em relação às reformas estão trazendo um prêmio de risco maior para os ativos brasileiros “, afirma Gonçalves.

Construção civil

Os serviços prestados às famílias ainda estão 23,7% abaixo do nível pré-pandemia. Quem está empregando é o setor de tecnologia, que já está 16,4% acima do patamar de antes de a covid-19 chegar no Brasil, em fevereiro.

“Alguns segmentos vão ficar para trás, só a superação da pandemia permitirá uma normalização.”

Outro setor que está reagindo é a construção civil. Mas está sofrendo dois choques, o da falta de insumos e agora do juro mais alto que afeta diretamente o crédito habitacional.

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