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Economia Economistas veem inflação em 8% no fim do ano e de 4% em 2022

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Levantamento aponta aponta que a disparada dos preços foi mais intensa aqui do que no restante do mundo. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Após mais uma semana de crise política e novas surpresas negativas na inflação, os mais de 100 economistas consultados semanalmente pelo Banco Central fizeram uma nova rodada de deterioração nas expectativas para este e para o próximo ano. O mercado financeiro continua apostando em preços mais altos, crescimento mais baixo da economia e juros ainda mais elevados em 2021 e 2022.

A projeção do Relatório de Mercado Focus para a inflação em 2021 se distanciou mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central. Os economistas alteraram a previsão para o IPCA — o índice oficial de preços — este ano, de alta de 7,63% para 8%. Há um mês, estava em 7,05%. A projeção para o índice em 2022 foi de 3,98% para 4,03%. Quatro semanas atrás, estava em 3,90%.

A projeção dos economistas para a inflação já está bem acima do teto da meta de 2021, de 5,25%. O centro da meta para o ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%).

Considerando apenas os 76 analistas que responderam à pesquisa na semana passada, a projeção para o IPCA de 2021 ficou ainda maior, passando de 7,76% para 8,20%. Para 2022, a estimativa desse grupo passou de 3,98% para 4,10%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma “carta aberta” a Guedes, explicando as razões para o estouro.

A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

Selic

Com a inflação puxada pelos preços de alimentos, combustíveis e energia elétrica, o mercado já espera que o BC eleve a taxa básica Selic de forma mais contundente ainda este ano. A mediana das previsões para os neste ano passou de 7,63% em 8% ao ano. Um mês atrás, os economistas esperavam uma Selic de 7,50% no fim de 2021.

No começo de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC subiu pela quarta vez consecutiva a Selic e acelerou o ritmo ao elevá-la em 1 ponto porcentual, para 5,25% ao ano. Ao mesmo tempo, o colegiado sinalizou um novo aumento de mesma magnitude para a próxima reunião, nos dias 21 e 22 de setembro.

No entanto, a persistência da inflação e o agravamento da crise hídrica têm reforçado as apostas do mercado por alta maior da Selic na próxima semana.

Para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa para a taxa Selic de 7,75% para 8% ao ano, o que pressupõe estabilidade do juro básico da economia no ano que vem.

PIB

O cenário de mais inflação e juros mais altos traz também um crescimento menor para o Produto Interno Bruto (PIB) neste e nos próximos anos. Os economistas do mercado financeiro reduziram novamente a estimativa de crescimento da economia brasileira de 5,15% para 5,04% em 2021. Para 2022, previsão passou de alta de 1,93% para 1,72. Para 2023, a projeção de crescimento voltou a cair, de 2,35% para 2,30%.

No começo do ano, o mercado previa que o PIB iria crescer 3,4% em 2021. A economia, no entanto, tem mostrado reação nos últimos meses, influenciada, entre outros motivos, pela alta dos preços das commodities — produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, cotados no mercado internacional em dólar.

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