Sábado, 13 de junho de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 17 de janeiro de 2025
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Esta história exemplifica bem onde a medicina foi parar.
Recentemente uma paciente relatou indignada no consultório ao retirar os pontos.
Doutor, durante minha internação um dia fui acordada com barulho e luzes acessas do meu quarto! Ainda sonolenta percebi que alguém tocou na minha barriga e me perguntou. “É aqui que dói?” Ressabiada e desconfiada percebi que aquela pessoa estava vestindo jeans, carregava uma mochila nas costas e tinha os antebraços tatuados. Perguntei: “Quem é o senhor?”
Ele me respondeu: Sou médico residente e vim avaliar a sua dor. Imediatamente respondi: “Bom dia doutor!” Antes de me tocar não era melhor me cumprimentar, se apresentar e me questionar? Ouvir minhas queixas?!
Ele não parecia médico, nem pela vestimenta, nem pelo trato! Nem usava um avental branco para que pudesse identificá-lo melhor.
Acho que o Senhor, como professor, deveria orientá-los melhor!
Ouvi atentamente seu relato e pensei com os meus botões: “Ela não imagina como eu tento!!”
Outro dia fiquei triste e encabulado, por discutir com um estudante do 4º ano de medicina.
Pela minha formação, não poderia aceitar um aluno de bermudas e chinelos de dedos assistindo aula no seio do hospital. Ele argumentou que o importante era a pessoa e não o que ela veste! Depois de lecionar por mais de 40 anos nunca vivi como professor, uma situação tão constrangedora. A discussão se generalizou entre os presentes e sai do anfiteatro aguardando a decisão da maioria de quem deveria ficar! O bom senso prevaleceu: voltei, dei a aula e o aluno saiu.
A pergunta que se faz é onde erramos na educação dos nossos filhos, dos nossos alunos, dos nossos médicos? A distorção de valores hoje é muito grande!
Reconhecemos que o nosso ensino básico e fundamental nunca foi tão ruim como nos dias atuais. Mas nem tudo está perdido!
Acho que deveríamos começar tudo de novo: “Tira o dedo do nariz! Não joga sujeira no chão! Limpa a boca!”
Obedece e respeita a professora!
Assim sendo, no final da formação, com melhor base educacional, acho que até os médicos voltarão a ser melhores.
Sem dúvida, a educação médica faz parte da cascata.

(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário – schwartsmann@gmail.com)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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Corretíssimo!!!
Atualmente é uma temeridade submeter-se a uma cirurgia e ficar à mercê, no pós-operatório de supostos profissionais.
Nunca consultei, nem tive a oportunidade de conversar pessoalmente com o médico Carlos Roberto, porém, pelo que obsevo de suas participações no programa Pampa Debates e pelo que leio de seus artigos aqui no Jornal, a imagem que tenho do médico é de um profissional zeloso, atualizado, comprometido e que conserva a característica do médico de família, acolhedor e dedicado.