Segunda-feira, 01 de Março de 2021

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Brasil Eficácia da CoronaVac: veja perguntas e respostas

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O primeiro lote ainda não foi totalmente entregue, mas Butantan diz que é necessário planejamento. (Foto: Reprodução)

O Instituto Butantan anunciou, nesta semana, a eficácia geral da CoronaVac, a vacina contra covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e que será fabricada no Brasil pelo instituto.

A eficácia geral da vacina ficou em 50,38% – acima do mínimo de 50% recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Mas o que significa isso? Abaixo, você verá as respostas para algumas perguntas:

1) O que é a eficácia de uma vacina?

A eficácia de uma vacina é determinada quando ela ainda está em estudos (normalmente, de fase 3). Dizer se uma vacina é ou não eficaz significa dizer se ela funciona ou não em condições ideais.

Ela é medida por uma porcentagem que indica a redução de casos num grupo vacinado em comparação a um grupo não vacinado. Ou seja: a ideia é quantificar a diferença numérica que a vacina vai fazer para proteger uma população.

Se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa que, nos testes, ela conseguiu reduzir em 90% a quantidade de casos que ocorreriam se as pessoas não tivessem sido vacinadas.

2) Como os cientistas descobriram a eficácia da CoronaVac?

“No caso da vacina [CoronaVac], a eficácia está sendo determinada pela proporção de pessoas que se contaminam entre os vacinados e os não vacinados”, explica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia e reitora da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

A conta se torna um pouco mais complicada, entretanto, porque o fator tempo também é considerado. Como nem todas as pessoas passaram o mesmo tempo no estudo, o risco que elas tinham de pegar ou não a covid também era diferente, esclarece Pellanda.

Para determinar a eficácia da vacina, os cientistas reúnem voluntários e os dividem, geralmente, em dois grupos. Um dos grupos recebe um placebo (que pode ser uma substância sem efeito ou uma outra vacina, como a da meningite); esse grupo é chamado de controle. O outro recebe a vacina.

No caso da CoronaVac, os grupos testados tinham cerca de 4,6 mil pessoas cada. Todas eram profissionais de saúde, que têm mais exposição ao vírus. Isso é importante porque, para determinar a eficácia de uma vacina, é preciso aplicá-la nos voluntários e ver se ela foi capaz de protegê-los do vírus.

Só que os cientistas não podem, via de regra, infectar as pessoas com o vírus. Por isso, eles precisam de pessoas que sejam expostas a ele no dia a dia. Neste caso, os profissionais de saúde têm mais exposição do que a população geral, porque cuidam dos doentes.

Depois de aplicar a vacina e o placebo naquela quantidade de voluntários, os cientistas esperam até que haja um número suficiente de pessoas infectadas para calcular a eficácia.

Com os dados que obtiveram dos testes da CoronaVac, os cientistas chegaram à eficácia de 50,38%. Isso significa que a vacina conseguiu fazer com que cerca de metade das pessoas que ficariam doentes se não fossem vacinadas não ficassem.

3) Se a vacina tem 50% de eficácia, isso significa que eu tenho 50% de chance de pegar covid?

Não. Significa o que seu risco foi reduzido em 50%. Isso porque o risco de pegar covid é diferente para cada pessoa e não é de 100% para ninguém.

“Para poucas coisas o risco é 100%. Teoricamente, em algum dia [o risco de pegar Covid] pode chegar a 100%, mas, neste momento, não são 100% das pessoas que se infectaram. Não tem 200 milhões de infectados [no Brasil]. Tem gente que não chegou perto do vírus ainda. Então, o risco não é 100%”, explica Lucia Pellanda.

Isso significa que uma pessoa não vacinada no Brasil vai ter mais risco de se contaminar do que uma pessoa não vacinada na Nova Zelândia, por exemplo (que adotou boas medidas de controle da pandemia).

4) Eu posso tomar a vacina e mesmo assim ficar doente?

Pode. Mas a chance é menor do que seria se você não tomasse. Além disso, mesmo que fique doente, a tendência é que o caso de covid seja menos grave do que seria se você não tivesse sido vacinado.

“O risco é 50% menor de pegar a doença e 78% menor de ter uma doença que vá precisar de algum atendimento médico”, explica Alexandre Zavascki, da UFRGS.

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