Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de agosto de 2020
Com a mediação do governo de Donald Trump, Israel e os Emirados Árabes Unidos chegaram a um acordo considerado histórico que levará a uma “normalização total” das relações diplomáticas entre as duas nações do Oriente Médio, segundo anunciou o presidente americano.
Sob o acordo, Israel concordou em “suspender temporariamente” a anexação de áreas da Cisjordânia ocupada, segundo o premier Benjamin Netanyahu.
“Começa uma nova era nas relações entre Israel e o mundo árabe”, disse Netanyahu horas depois do anúncio, em uma mensagem transmitida pela televisão, reiterando que Israel não havia renunciado à anexação, que seria ilegal pelo direito internacional. “É uma abertura para a paz na região. Este é um verdadeiro acordo de paz, não é um slogan.”
A Autoridade Nacional Palestina, depois de uma reunião convocada pelo presidente Mahmoud Abbas, classificou o acordo como uma “traição” e disse que pedirá uma reunião de urgência da Liga Árabe. A ANP chamou para consultas seu embaixador em Abu Dabi.
“A liderança palestina rejeita e denuncia o anúncio trilateral e surpreendente dos Emirados Árabes, de Israel e dos Estados Unidos”, disse o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeineh, acrescentando que “nem os Emirados nem ninguém tem o direito de falar em nome do povo palestino”.
Por causa do combate ao Irã, seu inimigo comum, tantos os Emirados quanto a Arábia Saudita já vinham se aproximando de Israel e pondo menos ênfase na causa palestina. No início do ano, a Arábia Saudita sediou a conferência em que o genro de Trump, Jared Kushner, apresentou o plano econômico da Casa Branca para o Oriente Médio, que foi rejeitado pelos palestinos.
No fim de junho, os Emirados e Israel anunciaram um acordo de cooperação na luta contra o coronavírus, uma parceria que já representava um passo significativo para a normalização entre dois importantes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio.
O acordo foi o produto de discussões que vinham se desenrolando em sigilo entre Israel, Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos. Para o presidente americano, Donald Trump, trata-se de uma vitória diplomática meses antes da disputa pela reeleição, em 3 de novembro. Segundo a mídia israelense, o anúncio foi “acelerado”.
As autoridades americanas e israelenses descreveram o pacto, que será conhecido como Acordos de Abraão, como o primeiro do tipo desde que Israel e Jordânia assinaram um tratado de paz, em 1994. Esse é o terceiro acordo de Israel com seus vizinhos árabes — anteriormente, apenas Jordânia e Egito fecharam acordos de paz em que também estabeleceram relações formais com o Estado israelense. A diferença é que tanto a Jordânia quanto o Egito haviam travado guerras com Israel, o que não é o caso dos Emirados.
Irã e Turquia
O Irã e a Turquia fizeram críticas ao acordo de normalização das relações entre Israel e Emirados Árabes Unidos.
O entendimento, celebrado com a mediação dos Estados Unidos, foi chamado de “estupidez estratégica”, em um comunicado do ministério das Relações Exteriores do Irã.
O acordo, anunciado na quinta-feira (13), é uma “estupidez estratégica de Abu Dhabi e Tel Aviv que, sem dúvida, reforçará o eixo de resistência na região”, afirma o ministério iraniano em sua nota oficial.
“O povo oprimido da Palestina e todas as nações livres do mundo nunca perdoarão a normalização das relações com o ocupante e o regime criminosos de Israel”, completa.
O Irã, inimigo declarado de Israel, qualificou a decisão de Abu Dhabi de “vergonhosa” e fez um alerta contra qualquer interferência de Israel no Golfo.
“O governo dos EAU (Emirados Árabes Unidos) e os outros Estados a seu lado serão responsáveis por este acordo”, destacou Teerã.
A Turquia acusou os Emirados Árabes Unidos de “trair a causa palestina”.
“Enquanto trai a causa palestina para servir a seus pequenos interesses, os Emirados Árabes Unidos se esforçam para apresentar isto como uma espécie de sacrifício pelos palestinos”, afirma um comunicado do ministério turco das Relações Exteriores.
“A História e a consciência dos povos da região nunca esquecerão esta hipocrisia e nunca a perdoarão”, completa a nota do ministério turco.
Fervoroso defensor da causa palestina, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, critica de maneira habitual os países árabes, que na sua visão não adotam uma atitude suficientemente firme ante Israel.
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