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Mundo Em acordo histórico, Israel e Emirados Árabes estabelecem relações

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Jornal registra cerca de 20 mil frases enganosas ou não verdadeiras do presidente desde a posse. (Foto: Tia Dufour/The White House)

Com a mediação do governo de Donald Trump, Israel e os Emirados Árabes Unidos chegaram a um acordo considerado histórico que levará a uma “normalização total” das relações diplomáticas entre as duas nações do Oriente Médio, segundo anunciou o presidente americano.

Sob o acordo, Israel concordou em “suspender temporariamente” a anexação de áreas da Cisjordânia ocupada, segundo o premier Benjamin Netanyahu.

“Começa uma nova era nas relações entre Israel e o mundo árabe”, disse Netanyahu horas depois do anúncio, em uma mensagem transmitida pela televisão, reiterando que Israel não havia renunciado à anexação, que seria ilegal pelo direito internacional. “É uma abertura para a paz na região. Este é um verdadeiro acordo de paz, não é um slogan.”

A Autoridade Nacional Palestina, depois de uma reunião convocada pelo presidente Mahmoud Abbas, classificou o acordo como uma “traição” e disse que pedirá uma reunião de urgência da Liga Árabe. A ANP chamou para consultas seu embaixador em Abu Dabi.

“A liderança palestina rejeita e denuncia o anúncio trilateral e surpreendente dos Emirados Árabes, de Israel e dos Estados Unidos”, disse o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeineh, acrescentando que “nem os Emirados nem ninguém tem o direito de falar em nome do povo palestino”.

Por causa do combate ao Irã, seu inimigo comum, tantos os Emirados quanto a Arábia Saudita já vinham se aproximando de Israel e pondo menos ênfase na causa palestina. No início do ano, a Arábia Saudita sediou a conferência em que o genro de Trump, Jared Kushner, apresentou o plano econômico da Casa Branca para o Oriente Médio, que foi rejeitado pelos palestinos.

No fim de junho, os Emirados e Israel anunciaram um acordo de cooperação na luta contra o coronavírus, uma parceria que já representava um passo significativo para a normalização entre dois importantes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio.

O acordo foi o produto de discussões que vinham se desenrolando em sigilo entre Israel, Emirados Árabes Unidos e os Estados Unidos. Para o presidente americano, Donald Trump, trata-se de uma vitória diplomática meses antes da disputa pela reeleição, em 3 de novembro. Segundo a mídia israelense, o anúncio foi “acelerado”.

As autoridades americanas e israelenses descreveram o pacto, que será conhecido como Acordos de Abraão, como o primeiro do tipo desde que Israel e Jordânia assinaram um tratado de paz, em 1994. Esse é o terceiro acordo de Israel com seus vizinhos árabes — anteriormente, apenas Jordânia e Egito fecharam acordos de paz em que também estabeleceram relações formais com o Estado israelense. A diferença é que tanto a Jordânia quanto o Egito haviam travado guerras com Israel, o que não é o caso dos Emirados.

Irã e Turquia

O Irã e a Turquia fizeram críticas ao acordo de normalização das relações entre Israel e Emirados Árabes Unidos.

O entendimento, celebrado com a mediação dos Estados Unidos, foi chamado de “estupidez estratégica”, em um comunicado do ministério das Relações Exteriores do Irã.

O acordo, anunciado na quinta-feira (13), é uma “estupidez estratégica de Abu Dhabi e Tel Aviv que, sem dúvida, reforçará o eixo de resistência na região”, afirma o ministério iraniano em sua nota oficial.

“O povo oprimido da Palestina e todas as nações livres do mundo nunca perdoarão a normalização das relações com o ocupante e o regime criminosos de Israel”, completa.

O Irã, inimigo declarado de Israel, qualificou a decisão de Abu Dhabi de “vergonhosa” e fez um alerta contra qualquer interferência de Israel no Golfo.

“O governo dos EAU (Emirados Árabes Unidos) e os outros Estados a seu lado serão responsáveis por este acordo”, destacou Teerã.

A Turquia acusou os Emirados Árabes Unidos de “trair a causa palestina”.

“Enquanto trai a causa palestina para servir a seus pequenos interesses, os Emirados Árabes Unidos se esforçam para apresentar isto como uma espécie de sacrifício pelos palestinos”, afirma um comunicado do ministério turco das Relações Exteriores.

“A História e a consciência dos povos da região nunca esquecerão esta hipocrisia e nunca a perdoarão”, completa a nota do ministério turco.

Fervoroso defensor da causa palestina, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, critica de maneira habitual os países árabes, que na sua visão não adotam uma atitude suficientemente firme ante Israel.

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